A Igreja e o poder público
A Igreja pode ajudar as pessoas em datas especiais. Mas ela não pode se limitar a isso. Sua prática social faz parte de seu ser, visa à dignidade das pessoas e busca a libertação integral.
O modelo social, econômico e político em vigor, no Brasil, produz as suas vítimas. Além das pessoas incapacitadas por deficiências físicas ou mentais, temos outras categorias de pessoas necessitadas de ajuda. São exemplos: crianças empobrecidas, vítimas da violência, desempregados, moradores de rua, pessoas idosas, doentes e encarceradas. Além das dificuldades da família em dar conta dos seus necessitados, machucados e feridos, há carência na prática de políticas públicas nestas áreas. E a cidade esconde muito os seus problemas, ao não dar condições para que estas pessoas apareçam em público. Em Cuiabá, por exemplo, a gente encontra poucos cadeirantes em público. A cidade não foi construída para eles. Há centenas, mas vivem isolados e solitários em pequenas casas, na maioria.
O trabalho social da Igreja neste contexto urbano é de fundamental importância. Como ela é uma organização que toca a alma, o coração, o centro da vida das pessoas, ela mexe com os sentimos e tem muito contato direto com a população. A Igreja tem condições de ter muita informação da existência e da vida de pessoas necessitadas. Na cidade, as pessoas batem mais à porta das igrejas ou da casa paroquial à procura de apoio do que nas casas em geral. A Igreja tem, portanto, envolvimento com a vida dos sofredores da cidade.
A Igreja não vai dar conta sozinha, no contexto urbano e brasileiro, das misérias do povo. Mas ela tem o compromisso de estar presente nestas situações. Ela pode ter suas próprias instituições de amparo e apoio. Mas ela pode e deve se unir às instituições já existentes ou criar novas, caso seja necessário, junto com outros atores sociais que tenham interesse em tais ações. Pode e deve aglutinar forças para ação social, diretamente com pessoas fragilizadas. É interessante observar que sua ação não visa criar dependência, mas promover dignidade e autonomia dos necessitados.
Por outro lado, a Igreja não está aí para assumir o lugar do poder público. Este tem seu compromisso de zelar pela vida digna das vítimas. Pagamos impostos e votamos para isso. Aliás, toda avaliação do poder público deve passar pela melhoria da qualidade de vida das pessoas necessitadas. A ética leva em conta, principalmente, a melhora da vida destas pessoas. A Igreja deve, por um lado, assumir a sua responsabilidade social. Por outro lado, ser alerta, com sua pregação e ação, ao poder público e suas políticas.
A ação social da Igreja faz diferença no contexto urbano. Ela tem isso na sua origem. A comunidade Cristã demonstrou a sua prática diaconal ao longo da história. A solidariedade cristã impressionou o mundo, desde o início. Conta a história que o filósofo Aristides, no início do segundo século, expressou sua admiração a respeito da prática do amor cristão. Ele observou que os cristãos são humildes e bondosos. Eles amam uns aos outros. Ele viu a prática social fundamentada no Evangelho. Cristãos não desprezam as viúvas, nem os órfãos. Quem tem, reparte livremente. Acolhem os forasteiros como irmãos. Providenciam sepultamento digno aos mortos. Suprem as necessidades dos presos. Jejuam para que sobre comida para alimentar empobrecidos.
A prática social da Igreja impressionou o filósofo. Ela é importante, porque promove vida digna. A Igreja é solidária com as pessoas que sofrem com as misérias, dando apoio diretamente. Mas ela, também, promove sua autonomia e luta para superar as causas que produzem vítimas.
* TEOBALDO WITTER, pastor luterano - twitter@terra.com.br
A Igreja pode ajudar as pessoas em datas especiais. Mas ela não pode se limitar a isso. Sua prática social faz parte de seu ser, visa à dignidade das pessoas e busca a libertação integral.
O modelo social, econômico e político em vigor, no Brasil, produz as suas vítimas. Além das pessoas incapacitadas por deficiências físicas ou mentais, temos outras categorias de pessoas necessitadas de ajuda. São exemplos: crianças empobrecidas, vítimas da violência, desempregados, moradores de rua, pessoas idosas, doentes e encarceradas. Além das dificuldades da família em dar conta dos seus necessitados, machucados e feridos, há carência na prática de políticas públicas nestas áreas. E a cidade esconde muito os seus problemas, ao não dar condições para que estas pessoas apareçam em público. Em Cuiabá, por exemplo, a gente encontra poucos cadeirantes em público. A cidade não foi construída para eles. Há centenas, mas vivem isolados e solitários em pequenas casas, na maioria.
O trabalho social da Igreja neste contexto urbano é de fundamental importância. Como ela é uma organização que toca a alma, o coração, o centro da vida das pessoas, ela mexe com os sentimos e tem muito contato direto com a população. A Igreja tem condições de ter muita informação da existência e da vida de pessoas necessitadas. Na cidade, as pessoas batem mais à porta das igrejas ou da casa paroquial à procura de apoio do que nas casas em geral. A Igreja tem, portanto, envolvimento com a vida dos sofredores da cidade.
A Igreja não vai dar conta sozinha, no contexto urbano e brasileiro, das misérias do povo. Mas ela tem o compromisso de estar presente nestas situações. Ela pode ter suas próprias instituições de amparo e apoio. Mas ela pode e deve se unir às instituições já existentes ou criar novas, caso seja necessário, junto com outros atores sociais que tenham interesse em tais ações. Pode e deve aglutinar forças para ação social, diretamente com pessoas fragilizadas. É interessante observar que sua ação não visa criar dependência, mas promover dignidade e autonomia dos necessitados.
Por outro lado, a Igreja não está aí para assumir o lugar do poder público. Este tem seu compromisso de zelar pela vida digna das vítimas. Pagamos impostos e votamos para isso. Aliás, toda avaliação do poder público deve passar pela melhoria da qualidade de vida das pessoas necessitadas. A ética leva em conta, principalmente, a melhora da vida destas pessoas. A Igreja deve, por um lado, assumir a sua responsabilidade social. Por outro lado, ser alerta, com sua pregação e ação, ao poder público e suas políticas.
A ação social da Igreja faz diferença no contexto urbano. Ela tem isso na sua origem. A comunidade Cristã demonstrou a sua prática diaconal ao longo da história. A solidariedade cristã impressionou o mundo, desde o início. Conta a história que o filósofo Aristides, no início do segundo século, expressou sua admiração a respeito da prática do amor cristão. Ele observou que os cristãos são humildes e bondosos. Eles amam uns aos outros. Ele viu a prática social fundamentada no Evangelho. Cristãos não desprezam as viúvas, nem os órfãos. Quem tem, reparte livremente. Acolhem os forasteiros como irmãos. Providenciam sepultamento digno aos mortos. Suprem as necessidades dos presos. Jejuam para que sobre comida para alimentar empobrecidos.
A prática social da Igreja impressionou o filósofo. Ela é importante, porque promove vida digna. A Igreja é solidária com as pessoas que sofrem com as misérias, dando apoio diretamente. Mas ela, também, promove sua autonomia e luta para superar as causas que produzem vítimas.
* TEOBALDO WITTER, pastor luterano - twitter@terra.com.br


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