AUREMACIO CARVALHO

Portugal piora na desigualdade entre homens e mulheres

Num ano assolado pela crise financeira, a desigualdade entre homens e mulheres agravou-se em Portugal, que está agora na 46ª posição numa tabela de 134 países.
Da Redação

Lisboa- A desigualdade entre homens e mulheres agravou-se em 2009. De acordo com o "Global Gender Gap", que hoje é apresentado em Nova York, Portugal caiu cinco lugares na tabela e ocupa a 46º posição, muito longe da Islândia, Finlândia e Noruega, que lideram.A edição de hoje do jornal "Público" alerta que, relativamente ao ano passado, Portugal perdeu pontos nos indicadores que medem a participação política, na economia e as oportunidade de carreira dadas às mulheres. Além disso, verificou-se uma quebra na igualdade de salários pagos a homens e mulheres para a mesma funções e um agravamento das dificuldades em aceder a cargos de topo nas empresas na justiça. O ranking revela que Portugal conseguiu ficar acima da média em três indicadores: a esperança média de vida, o acesso das mulheres às profissões técnicas e a possibilidade de frequentarem o ensino secundário e superior. No topo da tabela está a Islândia, que subiu quatro lugares, seguindo-se a Finlândia e a Noruega, paísque mais se destaca pela presença de mulheres no Governo. Portugal, apesar de perder pontos, tem desde ontem o governo com mais mulheres da história. No seu segundo mandato, José Sócrates convidou cinco mulheres para ocupar o elenco governativo. As pastas da Saúde, Ambiente, Educação, Trabalho e Cultura estão nas mãos de ministras.Os países que menos fazem pela igualdade de género são o Iémen, o Chade, o Paquistão e o Benim
(28/10/09- http://mail.live.com/default.aspx?wa=wsignin1.0)
AUREMACIO CARVALHO

Nessa quinta feira (01/10/09), será realizada uma audiência pública à partir das 14hs, no auditório "Deputado Milton Figueiredo", na Assembléia Legislativa, para debater as conferências nacional (Confecom) e estadual de comunicação. Além de membros da sociedade civil, do empresariado e do poder público, o evento conta com a participação da jornalista Carolina Ribeiro, membro do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, uma das entidades que compõem a Comissão Organizadora Nacional da Confecom. O objetivo da audiência, solicitada pelo Deputado Estadual Alexandre César (PT-MT) a pedido da Comissão Estadual Pró-Conferência do Mato Grosso e aprovada em plenário do dia 23/09 pelo poder legislativo do estado, é informar a todos sobre o que é a I Conferência Nacional de Comunicação, quais os procedimentos para sua realização e de que forma a sociedade pode participar. Dizem que as pessoas que não gostam de política têm por castigo serem governadas por quem gosta... Da mesma forma, quem não gosta de comunicação e não tem interesse em saber como ela funciona, para atuar nela a seu favor, também viverá preso em uma jaula invisível, como uma mosca dentro de um vidro. Os psicólogos vêm estudando este assunto há longa data e concluíram que a mídia pode modelar a mente das pessoas, de tal forma que a maioria delas faça exatamente aquilo que os donos de rádios, jornais e TV desejam. Não é fácil para uma pessoa comum, que não seja jornalista ou comunicador profissional, dedicar-se a assuntos desta natureza, mas, por outro lado, se nada fizerem, tudo permanecerá como está ou ainda vai piorar. Há um provérbio que diz: "Jornalismo é algo tão sério que não pode ficar apenas nas mãos de jornalistas." Será, prezado(a) leitor(a), que você recebe a informação "plural e diversa" necessária à formação de uma "opinião pública independente" no "mercado livre de idéias", fundamento da democracia? Será que você sente seus diferentes pontos de vista "refletidos" na mídia que você lê, ouve ou vê? Da mesma forma, haverá uma "opinião pública" ou coexistem muitas e variadas "opiniões publicas", "fotografadas" estatisticamente por meio de intervenções (pesquisas) pautadas por interesses e questões alheios a ela ou a elas? Essas (e muitas outras) questões, que em geral não são discutidas pelos colunistas da grande mídia, além de fundamentais escondem os pressupostos básicos sempre implícitos na definição do papel da "imprensa" nas democracias liberais. Em tempos de 1ª Conferência Nacional de Comunicação, os pressupostos implícitos sobre o papel que a grande mídia desempenha nas democracias liberais e sua uniformidade ideológica precisam ser debatidos. Afinal, todos queremos o aprimoramento democrático. Ou não? A ética jornalística recomenda que todos os lados sejam ouvidos (e ouvidos a sério), não apenas para cumprir tabela; e que o direito de resposta, segundo normas civilizadas de tamanho, oportunidade e linguagem, seja amplamente concedido. Não é o que vem acontecendo. Ou você pensa que um cidadão, com a cara exposta na mídia, após ter ou ser suspeito de ter cometido um ato ilícito ou um crime, tem direito a ser ouvido? São temas como esses que vamos discutir, tanto da Audiência Pública, quanto na Conferência Estadual. E, se você é pessoa que busca estar informada e não manipulada ou usada pela mídia, seu lugar é na Audiência e na Conferência Estadual. Venha, sua participação é fundamental. Já disse alguém, "O maior analfabeto é o analfabeto político".
* AUREMÁCIO CARVALHO é membro da Comissão Organizadora da Conferência auremacio.carvalho@hotmail.com
AUREMACIO CARVALHO

Maconha é a droga mais consumida por 67% dos adolescentes

Pesquisa revela ainda que 2% tiveram primeiro contato com entorpecentes aos sete anos
A pesquisa foi feita com base nos atendimentos realizados entre 2007 e 2009, com 112 jovens, e mostra que 59% dos usuários têm entre 14 e 16 anosA maconha lidera o rol de drogas mais utilizadas entre os adolescentes. O dado é fruto de um levantamento realizado pelo Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), na capital, órgão ligado a Secretaria de Estado da Saúde, com jovens com idade entre 12 e 18 anos. Levantamento revela ainda que 2% dos adolescentes em tratamento experimentaram entorpecentes aos sete anos. O crack e a cocaína aparecem em segundo lugar na preferência dos usuários.
A pesquisa foi feita com base nos atendimentos realizados entre 2007 e 2009, com 112 jovens, e mostra que 59% dos usuários têm entre 14 e 16 anos. Quase a totalidade deles, 90%, é do sexo masculino. A maioria dos entrevistados, 67%, referiu a maconha como droga mais consumida.
"Quanto mais cedo os jovens iniciam o contato com as drogas, mais eminente o risco de desenvolverem dependência. Sem falar dos danos cerebrais, em uma fase essencial para a formação de muitas células. O dado preocupa e serve de alerta para os pais, que devem permanecer alertas", afirma Luizemir Lago, diretora do Cratod.
Ainda segundo o levantamento, 11% dos entrevistados apontam o crack como droga mais consumida e outros 11% a cocaína. Os inalantes aparecem em terceiro lugar com 4% da preferência, seguido do álcool e mesclado, ambos com 3%, e do tabaco com 2%.
O Cratod oferece tratamento gratuito para dependentes de álcool, tabaco e outras drogas. O Centro fica localizado na Rua Prates, 165, Bom Retiro.

Quase 4% dos adultos no mundo fumam maconha
O consumo é maior em países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia
Quase 4% dos adultos no mundo consomem maconha, apesar dos efeitos indesejáveis para a saúde da droga, destaca um artigo que será publicado na edição de sábado da revista médica britânica The Lancet.
Os autores do estudo citam dados da Organização das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), segundo os quais em 2006 havia 166 milhões de consumidores de maconha, dos 15 aos 64 anos, o que representa 3,9% da população mundial nesta faixa etária.
O produto é utilizado principalmente entre os jovens nos países ricos, com Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia à frente, mas o consumo está aumentando em todo o mundo.
O estudo foi elaborado pelos professores australianos Wayne Hall e Louisa Degenhardt.
"Em termos de saúde pública, o consumo de maconha é provavelmente modesto na comparação com o fardo social que representam o álcool, o cigarro ou outras drogas ilegais", destacam.
O uso da maconha apresenta riscos, lembram, como por exemplo a função pulmonar, que é afetada como no caso do tabaco. Também destacam que o risco de acidentes de trânsito é real, as crises de ansiedade e os episódios psicóticos em pessoas propensas aos mesmos, sem contar a dependência.
Segundo os autores, 9% das pessoas que fumam maconha se tornam viciadas. Na comparação, a dependência da nicotina é de 32%, da heroína de 23%, da cocaína de 17%, do álcool de 15% e dos estimulantes de 11%.
BC/fp
AUREMACIO CARVALHO

Comunidades: "Há condições para dar respostas ainda mais qualificadas"

O secretário de Estado das Comunidades manifestou a satisfação por dispor das condições necessárias para dar "respostas ainda mais qualificadas" às necessidades das comunidades portuguesas espalhadas pela diáspora. António Braga, que falava à imprensa no final da cerimónia de posse dos Secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional, que decorreu no Palácio da Ajuda, em Lisboa, destacou as condições disponíveis o Instituto Camões. "Quando falo em reunir instrumentos, por exemplo, podermos contar com o Instituto Camões e toda a sua capacidade agora alocada no ensino do português no estrangeiro, mas também a lusofonia, no sentido da relação com os países lusófonos", disse. No final do mandato do anterior Governo, onde ocupava igualmente a pasta das Comunidades Portuguesas, António Braga defendeu em diversas ocasiões a necessidade de reforçar a componente de representação e apoio às comunidades espalhadas pela diáspora. "A questão é reunir instrumentos para dar respostas ainda mais qualificadas às necessidades dos portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal", acentuou. Trinta e sete secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional tomaram hoje posse no Palácio da Ajuda, numa cerimónia que demorou menos de 30 minutos.
Esta cerimónia decorreu cinco dias depois daquela em que foi empossado o primeiro-ministro e os ministros do executivo de José Sócrates.
fonte: 31/10/09- http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1406758.
AUREMACIO CARVALHO

O que é Educação em Direitos Humanos e sua relação com a mídia.
(*) Auremácio Carvalho

O que não é: Uma serie de atividades esporádicas sobre temas relacionados com os DDHH, sem articulação entre eles. Uma mera realização de campanhas sobre temas específicos.Um conteúdo introduzido em algumas disciplinas e áreas curriculares.Toda e qualquer formação em valores.A mera aquisição de algumas noções sobre DDHH e outros documentos referenciais face o caso.O que é: Um processo sistemático e multidimensional orientado a formação do sujeito de direito e a promoção de uma cidadania ativa e participante. A articulação de diferentes atividades que desenvolvam conhecimentos, atitudes, sentimentos e praticas sociais que afirmem uma cultura de DDHH na escola e na sociedade.Processos em que se trabalhe, no nível pessoal e social, ético e político, cognitivo e celebrativo, o desenvolvimento da consciência da dignidade humana de cada pessoa.Educação em DDHH: é fomentar processos de educação formal e não formal, de modo a contribuir para a construção da cidadania, o conhecimento dos direitos fundamentais, o respeito à pluralidade e a diversidade sexual étnica, racial, cultural, de gênero e de crenças religiosas.A construção de uma cultura dos Direitos Humanos e de especial importância em todas os espaços sociais. A escola tem um papel fundamental na construção dessa cultura, contribuindo na formação do sujeito de direito, mentalidade e identidade individual e coletiva.O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos ( MEC-2007), está centrado em 05 eixos: Educação Básica- Trabalha-se com a educação em escolas da rede básica de ensino com programas que associem a cultura dos direitos humanos ao currículo básico desenvolvido pela educação pública e particular; Educação Superior- Contempla-se a pesquisa e a extensão, com o desenvolvimento de políticas de incentivo a educação privilegiando a função social das universidades como importante no resgate da cidadania; Educação Não-Formal- Procura traçar planos de incentivo as ONG’s e Movimentos Sociais que trabalhem com a perspectiva educacional dos direitos humanos, além de criar possibilidades de aplicação de políticas públicas nos estados e municípios. Edicação dos Profissionais de Justiça e Segurança Pública- Uma alternativa traçada para diminuir as transgressões aos direitos humanos no sistema carcerário e penal, procurando formas de capacitação e reciclagem dos profissionais que trabalham nessa área e, Educação e Mídia- Como forma de acabar com o preconceito que cerca o trabalho com direitos humanos, esse foco trabalha no âmbito dos meios midiáticos, reconstruindo as noções da população sobre direitos humanos, promovendo uma educação nessa área. De acordo com esses eixos, a educação em direitos humanos pode ser definida como treinamento, disseminação e information efforts objetivados à construção de uma cultura universal de direitos humanos através do compartilhamento de conhecimento e skills e da moulding of attitudes (mudança de atitudes), que são direcionados a: fortalecimento do respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais; O desenvolvimento completo da personalidade humana e de seu senso de dignidade; A promoção da compreensão, tolerância, igualdade entre os sexos e amizade entre todas as nações, pessoas indígenas e grupos raciais, nacionais, étnicos, religiosos e lingüísticos; A capacitação de todas as pessoas de participar efetivamente de uma sociedade livre. Está crescendo o consenso que educação em e para direitos humanos é essencial e pode contribuir para a redução de violações aos direitos humanos como também para a construção de sociedades livres, justas e pacíficas. Educação em direitos humanos é também crescentemente reconhecida como uma estratégia efetiva para prevenir abusos aos direitos humanos; através de três enfoques: Conhecimento: provisões de informação sobre direitos humanos e mecanismos para sua proteção; Valores, crenças e atitudes: promoção de uma cultura de direitos humanos através do desenvolvimento de valores, crenças e atitudes que defendam direitos humanos; e Ação: encorajamento para defender direitos humanos e prevenir abusos aos mesmos.A contemporaneidade é caracterizada pela sociedade do conhecimento e da informação, a centralidade da mídia implica, por um lado, um processo pelo qual as pessoas internalizam a cultura de seu grupo e assimilam as normas sociais, mas por outro, é capaz de construir a realidade por meio das representações que faz da vida humana. Sendo assim, ao mesmo tempo em que a mídia exerce um papel fundamental na educação crítica de direitos humanos em razão do seu amplo potencial de difundir informações, reproduzir valores e propagar idéias e saberes, ela pode cumprir um papel de reprodução ideológica que preconiza uma sociedade individualista e não-democrática. A mídia utiliza-se dos enquadramentos para determinar a produção de notícias e, com isso, tem provocado direcionamentos no entendimento das pessoas sobre determinados assuntos e acontecimentos. As várias formas de enquadramento resultam, ao mesmo tempo, em efeitos diversos de interpretação da realidade. Aliado ao grande desconhecimento e desinteresse sobre a realidade dos movimentos e dos setores sociais que eles representam, o efeito disso para a audiência é consolidação de um discurso pejorativo e negativo. Uma marcha organizada por setores da sociedade civil, por exemplo, tanto pode ser enquadrada pela mídia como liberdade de expressão, como pode ser enquadrada em termos de perturbação da ordem pública. Na prática, a abertura de espaços na mídia, em função do potencial transformador dos meios de comunicação de massa para os movimentos sociais tem sido um grande desafio, a exemplo dos debates sobre proteção, defesa e promoção de direitos humanos não serem consensuais no seio da sociedade. Não raro, há, de fato, conflitos instalados, discursos contraditórios e posições tendenciosas. Nesse caso, é preciso oferecer um leque de alternativas aos noticiários, com formatos mais abertos e plurais, para que os indivíduos possam questionar o enquadramento dominante. Não por acaso a mídia é uma das cinco áreas de atuação do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, pois se configura como instrumento essencial e indispensável à construção de uma cultura em direitos humanos, cujos caminhos são guiados por disputas e conflitos inerentes ao espaço de realização democrática da comunicação. Por exemplo: 10 de dezembro de 2007. Uma grande comemoração foi realizada no Rio de Janeiro, em homenagem ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. O evento organizado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) reuniu mais de 20 mil pessoas para assistir aos shows de Chico Buarque, Gabriel o Pensador, Daniela Mercury, Elza Soares e Gilberto Gil, na Praia de Botafogo. A grande mídia comercial (impressa e eletrônica) ignorou o evento. No dominical Fantástico (TV Globo), uma matéria com 23 segundos de duração mencionou a comemoração, de forma telegráfica. Para esses veículos, o evento não existiu e, conseqüentemente, para a maioria da população, os direitos humanos continuam sendo pouco conhecidos. É importante lembrar que as emissoras de TV são concessões públicas e têm como obrigação constitucional priorizar a informação, a cultura, as artes e a educação. Inclusive a educação em direitos humanos. Mas, na prática, enquanto alguns veículos ignoram, outros discriminam os movimentos de direitos humanos, afirmando que eles "só defendem bandidos". A educação- e sua vertente, direitos humanos- é um direito humano em si e também um dos mais importantes instrumentos para a difusão dos demais direitos humanos. Para superar riscos e criar oportunidades, as pessoas precisam estar conscientes de seus direitos. Por isso acreditamos que a educação em direitos humanos é o caminho que possibilitará que cada um apreenda os princípios da tolerância e da dignidade para si e para todos. A educação em direitos humanos é essencial para assegurar as liberdades da humanidade e promover a igualdade, fortalecendo os processos de avanço rumo à democracia Por isso, entre os objetivos gerais do Plano Nacional está a orientação da transversalização da educação em direitos humanos nas políticas públicas em geral, e na mídia em particular, pela sua importãncia na formação de opiniões. Uma nova cultura só virá com retomada da mídia como espaço público.Na opinião de especialistas, numa sociedade mediada pelos meios de comunicação, a defesa e promoção dos direitos humanos só virá com uma mídia mais plural e democrática, onde todos os setores se sintam representados e não sejam apenas "assunto" nas grandes emissoras de TV.Segundo pesquisas recentes, (ANDI-UNESCO 2008), o cidadão brasileiro assiste a 4 horas de televisão por dia. A TV, além de ser o meio mais visto, é o tipo de veículo com maior alcance na população, chegando a 93% dos lares e a todos os municípios do país. O quadro da televisão exemplifica a importância dos meios de comunicação hoje como principal instrumento de acesso a informações e à cultura da sociedade brasileira. Exatamente por isso, este tema ganhou espaço em um debate que até agora ficava restrito aos muros da sala de aula e passou a ser uma das preocupações centrais do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos.Para o professor da Universidade Federal de Pernambuco, Edgard Rebouças, representante da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania, os meios de comunicação comerciais invertem esta compreensão quando se trata do debate acerca do controle dos abusos cometidos por estes próprios meios. "Não é censura, como as empresas de comunicação costumam atribuir a qualquer iniciativa de controle social daquilo que é um bem público", afirma, fazendo referência ao fato da concessão para um canal de rádio ou TV ser pública, e, portanto, passível também de deveres.A educação nas sociedades contemporâneas, mediada pelos meios de comunicação, precisa de processos comunicacionais dialógicos. E ela só se realiza como direito humano quando há a possibilidade da troca", defende Gustavo Gindre, do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. Em suma: a educação em direitos humanos visa, precipuamente, o direito humano à comunicação consistente na garantia de meios e condições para informar e ser informado; garantido nos marcos jurídicos internacionais e nacionais através do reconhecimento do direito à liberdade de expressão e do acesso à informação. Há 60 anos atrás, nações por todo o mundo se uniram para reconhecer que todas as pessoas, em todas as nações, são livres e iguais, independetemente de raça, religião, status econômico, idade, gênero ou outras características pessoais. Através da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, as Nações Unidas reconheceram o primeiro documento internacional dos direitos humanos como a fundação da paz, justiça e liberdade no mundo.É preciso implementá-lo, em sua integralidade; e a mídia tem papel fundamental. Traga sua opinião debate!!!.
(*) Auremácio Carvalho- Advogado e Sociólogo. SECRETÁRIO EXECUTIVO DO COMITÊ ESTADUAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS





AUREMACIO CARVALHO


CONFERÊNCIA LIVRE- CUIABÁ
CADERNO DE TESES

1- Não há democracia sem a livre circulação de opiniões, sem o debate público e você não consegue fazer isso sem ter uma imprensa livre e diversificada. Quanto melhor o jornalismo, melhor a democracia. Do lado oposto, a primeira coisa que precisa ser suprimida para acabar com a democracia é a liberdade de informação. Então as coisas estão muito ligadas. sociedade é mediada pelos meios de comunicação, que são os responsáveis pela representação do real e pela formação da opinião pública. A concentração da mídia em grandes conglomerados privados, entretanto, impede que a cobertura seja focada nas reais necessidades sociais do Brasil e, conseqüentemente, atenda apenas aos interesses do público da grande imprensa.
2- O jornalismo vive uma contradição porque ele é um direito inerente às pessoas, à democracia, mas, é também uma indústria. E os grandes jornais, as grandes revistas e as grandes cadeias de televisão são empresas que querem lucro, e têm interesses políticos. O espaço público é um espaço de disputa permanente de grupos de interesse e também um campo de divergências ideológicas naturais. a mídia deve ser vista como importante meio para estabelecer o contato entre o cidadão e o governante, mas a falta de liderança nos veículos de comunicação para a cobertura das questões sociais faz com que a população fique sem argumentos para reclamar com seus representantes públicos. "Os governantes não estão acostumados a debater políticas públicas. Se o jornal não apresenta as propostas dos políticos, o cidadão não tem condições de cobrar dos candidatos eleitos. O jornalismo tem o papel de formação da cidadania, pois é por meio das informações que reivindicamos políticas efetivas em todos os setores sociais
3-O espaço público é um espaço de disputa permanente de grupos de interesse e também um campo de divergências ideológicas naturais, legítimas. Então, uma certa dose de manipulação é praticamente intrínseca ao jornalismo, que por sua vez é uma atividade muito subjetiva: não existe uma verdade sobre os fatos, existem maneiras de vê-los.
4- Por isso, é fundamental, do ponto de vista do jornalismo, a necessidade da honestidade. Você pode tratar o fato como quiser, desde que seja honesto, não distorça a informação. No caso brasileiro, o que acontece hoje é que a imprensa está fazendo tantas jogadas – desonestas – que ela se descolou completamente da realidade. Nas notícias atuais, tudo aparece como negativo, enquanto a vida do povo está melhorando. Nesses casos, quando as informações veiculadas na mídia estão muito descoladas da realidade, a mensagem não é aceita, e a mídia destrói sua própria influência porque exagerou na manipulação.
5- O homem moderno se forma no ambiente midiático. Hoje, a criança de seis ou sete anos já sabe operar um computador. A mídia não apenas informa, ela forma a pessoa. Ela é o próprio espaço público.Um email pode transmitir um manifesto político, mas também pode ser uma mensagem privada. Ninguém pede licença para te mandar nada, invadem sua caixa postal. Houve uma destruição de várias demarcações e o que a internet fez nesse sentido é uma verdadeira revolução: dissolução entre público e privado, entre quem é jornalista e quem não é, entre leitor e escritor.
6- Precisamos recriar a demarcação entre público e privado. Brasil ainda vai assistir à democratização da mídia? essa expressão é equivocada. Você não democratiza a mídia. A mídia são os veículos. É preciso, sim, democratizar o mercado: não se pode permitir o monopólio, o oligopólio, o cartel, o acúmulo de propriedade de concessões, que a lei proíbe. Isso é o que tem que ser feito. O resto é por conta da sociedade civil.
7- E nesse aspecto, a sociedade civil avançou muito. Se você for a uma banca de jornal, você vê a enorme quantidade de publicações. Por trás dos jornalões, das grandes emissoras, existe uma explosão de mídias. A imprensa hoje é muito heterogênea. Você tem revista de filosofia, de esporte, de turismo, de moda, várias de história, de ciência, de tudo o que você possa imaginar. Tem a internet. E isso é mídia, muito mais diversa do que há dez anos.
8- Além disso, há um pouco mais de massa crítica. A mídia se transformou não apenas num importante ramo de negócios como passou a exercer imenso poder sobre políticos e instituições políticas, provocando desse modo uma perigosa perversão no funcionamento da democracia
9- Dentro desse novo mundo, o futuro dos jornalistas como grupo profissional está também em causa, já que, inevitavelmente, começam a ser envolvidos pela gigantesca onda mercantilista que invade e contamina todo o sistema, "com evidentes repercussões em aspectos como a comercialização da informação".
10- Seja como for, a verdade é que a mídia se transformou em peça fundamental de dominação política, social, cultural e ideológica, não só por parte dos países mais poderosos, mas também das classes dominantes sobre as outras que constituem a maioria das populações. É irônico — para não dizer trágico — ver que esses meios extraordinários, proporcionados pela mídia, estão cada vez mais a serviço de estratégias de mercado, quando, num mundo ideal, poderiam servir à educação, ao desenvolvimento da cultura e ao melhor conhecimento entre os povos.Se jornalismo e democracia compartilham os mesmos ideais, está na hora de começarmos a discutir o futuro da mídia.
11- Brasil, quarto maior país do mundo em população, quinto maior em área, a décima economia do mundo, precisa, urgentemente, dos meios de comunicação de massa para desenvolver uma cultura nacional, recuperar sua auto-estima, impulsionar sua economia e serviços de interesse público, superar seus desequilíbrios e projetar-se como potência mundial. Só com premissas revolucionárias o Brasil alcançará a condição de enfrentar um contexto internacional adverso e ir mais longe do que o levaram os impulsos desenvolvimentistas iniciados nas décadas de 30 e 60, que adotaram premissas conservadoras. As transformações que se impõem, na área da comunicação – com uma recomposição do papel do Estado, da sociedade e do setor privado – são necessidades estratégicas para o desenvolvimento do país.(FNDC).
12- Os principais problemas envolvendo os sistemas de comunicação na contemporaneidade apresentam traços universais. O desenvolvimento destes meios foi acelerado a partir da década de 50, com a ampla disseminação da televisão, depois atingindo ritmo vertiginoso com o surgimento da microeletrônica e suas inúmeras aplicações. Tratam-se de meios com uma impressionante capacidade de exceder as finalidades particulares para as quais foram concebidas. A cultura, a política e a economia sofrem suas determinações de forma cada vez mais intensa e radical. Com os meios de comunicação de massa criaram-se novas formas de socialização e intensificou-se o seu papel estruturador do cotidiano e de geração de efeitos sobre os indivíduos. São instrumentos de potência que se autonomizam, crescentemente, escapando ao controle da sociedade.
13- Os meios de comunicação de massa têm imensas potencialidades mas, em nenhum país do mundo, podem ser considerados sob adequado controle democrático da sociedade. No Brasil, triste exemplo, temos um poder desmedido nas mãos de alguns poucos. Em nenhum país podemos identificar a necessária orientação destes meios por opções conscientes da sociedade. Fazendo uma analogia, é como se estivessem sendo manipulados - sem se saber exatamente para que servem e quais seus efeitos - materiais com forte poder de contaminação. Além da eventual má-fé e deliberado uso perverso, há uma destrutiva espontaneidade na forma com que os meios de comunicação de massa são operados. Os setores organizados da sociedade ainda não têm uma compreensão estratégica sobre seu papel. Sentem o incômodo dos seus efeitos, mas não têm um projeto para o seu controle e orientação.
14- Cabe ressaltar que um dos principais objetivos, que perpassa toda esta elaboração, é a construção do controle público sobre o conjunto dos sistemas de comunicação. Para se compreender o conceito que se quer constituir é preciso superar o sentido adjetivo e o uso vulgar da palavra controle no senso comum, seguidamente usada com uma conotação negativa e associada a autoritarismo. Tal como propomos, controle representa uma resposta estratégica ao problema da relação do homem com sua própria essência. Constitui premissa política para que o homem se identifique com a sua essência, isto é, com a realidade que é projetada para fora de si, através dos meios que desenvolve, tanto os meios materiais como as instituições. No sentido aqui empregado, controle constitui um esforço para inaugurar uma relação revolucionária dos homens entre si e com sua própria essência. Uma relação que pretende realizar toda a radicalidade da insubmissão diante do primado dos meios em relação aos fins. Por controle, assim, referimos à relação multilateral que se deve estabelecer para o equacionamento do conflito e da própria condição humana.
15- Vale ressaltar que o controle público constitui instrumento para o enfrentamento de questões e problemas que não encontram representação e não são acolhidos pelas formas institucionais próprias da era moderna e da tradição republicana. Pretende ser, portanto, uma resposta contemporânea aos problemas da contemporaneidade, como é o caso das determinações dos meios de comunicação sobre a cultura, a política e a economia.
16- O Brasil não dispõe de uma verdadeira política de comunicações, existindo apenas regulamentações de segmentos específicos e especialmente de aspectos técnicos. A maioria destas regulamentações está defasada, possibilitando a proliferação de situações "de fato". A inexistência de uma consistente política de comunicações esvazia a política de telecomunicações e emascula a política de cultura do que deveriam ser seus principais instrumentos, além de comprometer os benefícios que as comunicações poderiam proporcionar às áreas da educação, saúde, agricultura, entre outras.
17- A legislação da área de comunicações está extremamente defasada, não assegurando práticas informativas democráticas e nem amparando o desenvolvimento das novas tecnologias. A Lei de Imprensa em vigor é a do Regime Militar e o Código Brasileiro de Telecomunicações (a Lei 4.117) é de 1962. A política de outorgas ainda está sujeita ao predomínio de interesses particulares.
18- As outorgas de concessões e permissões de freqüências de rádio e canais de televisão são, em muitos casos, indevidamente utilizadas como instrumento de barganha política e eleitoral e troca de favores. A renovação das outorgas é praticamente automática, sem qualquer fiscalização efetiva por parte da sociedade.
19- A falta de uma política abrangente de comunicações confere uma inevitável autonomia à área de telecomunicações que substitui políticas públicas pelo mero planejamento sistêmico, o que está na origem de muitos dos seus atuais problemas, entre os quais destacam-se:
1. Aparelhamento político-partidário das empresas do Sistema Telebrás integrado pelas concessionárias de telecomunicações de cada estado e pela Embratel para as comunicações de longa distância. As empresas estaduais, quase sem exceção, se tornaram feudos dos "caciques" políticos regionais, atuando sem a necessária transparência pública.
2. Enormes dificuldades para fazer frente à demanda reprimida por telefones e outros serviços de telecomunicações.
20- A primeira estratégia é a construção do controle público, como base de relações democráticas que atribuam à sociedade condição de iniciativa diante do Estado e do setor privado. Estas novas relações pretendem revolucionar as bases do poder real, neste país, com a superação da mistificação do Estado como encarnação onisciente e onipotente da universalidade e detentor exclusivo do monopólio da representação do Público. E também com o compartilhamento, entre os setores organizados da sociedade e o setor privado, das responsabilidades na construção e orientação dos sistemas de comunicações. Neste contexto, o Estado deverá ser afirmado e fortalecido no seu papel de regulador e qualificador das práticas sociais, com uma ação substantivamente legitimada pelas novas relações. Estas transformações serão buscadas com o estabelecimento de relações multilaterais, nas quais se destaca um sistema de mediações institucionais que deverá permitir a interação da sociedade com o Legislativo, com os órgãos administrativos do Governo Federal, com as "entidades pensantes" do Estado, com a representação do setor privado e com as massas de consumidores de meios de comunicação. Também deverão possibilitar a capacitação e a integração dos setores organizados da sociedade entre si. A construção do controle público deverá corresponder ao advento de práticas democráticas na elaboração de políticas públicas para a área das comunicações, gerando critérios para a concessão, posse e uso dos veículos e, sobretudo, a possibilidade de incidência democrática da sociedade sobre o conteúdo dos veículos de comunicação.
21- segunda estratégia é a de reestruturação do mercado, na área das comunicações, superando a espontaneidade e orientando seu desenvolvimento e dotando-o de finalidades humanizadoras. Para o alcance deste objetivo, é decisivo a existência de um Governo Federal que adote medidas de estímulo à concorrência e ao exercício da capacidade empreendedora, em larga escala no país, tanto no seu sentido comercial como político, visando a pluralidade.
23 . A terceira estratégia é a de capacitação da sociedade e dos cidadãos, imprescindível para uma mobilização crescente da sociedade, do setor privado e do Estado na realização das tarefas gigantescas e complexas, mas perfeitamente exeqüíveis, de revolucionar estruturalmente os sistemas de comunicações do país. É uma mobilização que deve conferir legitimidade e sentido social à atuação do setor privado, e estabelecer uma ampla representação da pluralidade nos sistemas de comunicações. São medidas que vão da disseminação da capacidade de produção de inteligência pelos setores organizados da sociedade, sobre a área das comunicações, até o estímulo à autonomia intelectual dos indivíduos.
24. Finalmente, a quarta estratégia identifica como aspecto crítico da Política de Comunicações, a necessidade de ampliar ao máximo a incidência do Público sobre estes meios que hoje exercem decisivas determinações sobre a construção da cultura do país. O país necessita de uma política de desenvolvimento da cultura para alcançar autonomia estratégica e exercer sua soberania, num contexto internacional particularmente adverso. É necessário deflagrar um processo civilizatório, com o concurso dos meios de comunicação de massa para que o país, democraticamente, possa arbitrar seu destino e suas finalidades.
25- Ao propor o controle público como paradigma de mediação no relacionamento entre o público e o privado, o FNDC aposta numa determinada concepção de Estado democrático, que se apresenta como estrutura, independente de qualquer correlação de forças. Um espaço comum de articulação entre o empresariado e a sociedade civil, buscando soluções consensuais.quatro pilares básicos na defesa do direito humano à comunicação: a democratização do acesso aos meios de produção, a garantia da diversidade cultural, uma visão autônoma da opinião pública e a participação popular na formulação, definição e acompanhamento de políticas públicas.
26- O Brasil é o país da América Latina que mais possui veículos de comunicação. Do mesmo modo, é o primeiro em receita publicitária. Essa grandiosidade não é o único motivo pelo qual regulação e democratização da comunicação devem ocupar um espaço maior na agenda social brasileira. É preciso ter presente que os meios de comunicação exercem função determinante na cultura, na política e na economia. Além disso, a informação é um direito do cidadão. É fundamental debater se esse direito é respeitado, quando os veículos de comunicação, na verdade, são empresas privadas que têm interesses próprios e mercadológicos para defender.
27- Em contraposição ao modelo de mídia tradicional, focada na verticalização da informação, a comunicação do século XXI pede uma participação democrática da sociedade civil na produção de um conteúdo mais plural e que represente a diversidade cultural brasileira. democracia da comunicação deve refletir a pluralidade política e cultural dos grupos sociais brasileiros, levando em consideração questões de gênero e raça. É preciso retratar a diversidade cultural brasileira. A democratização da comunicação passa pela discussão das políticas culturais concomitantemente com as de comunicação, pois não podem ser pensadas separadamente.
28- Na verdade, sob o manto desse novo debate está aquela questão deixada sem solução pela Constituição de 1988, a garantia do direito à comunicação. O que na verdade devemos nos perguntar é o que é o direito à comunicação? O direito de uma empresa decidir o que vamos ou não vamos ver, ouvir e saber? O direito de sermos informados da forma como os agentes econômicos e políticos que detêm o comando das empresas de comunicação quiserem? Historicamente, o debate sobre a implantação de políticas democráticas de comunicação no Brasil tem se focado no âmbito federal. Há, de fato, poucas (ainda que valiosas) experiências consolidadas em âmbito municipal ou estadual. Um dos motivos para isso é o fato de que a Constituição Federal prevê que a exploração e a regulação das telecomunicações e radiodifusão, áreas de aplicação de parte dessas políticas, são de competência da União. Isso tende a localizar o foco das ações relacionadas a esse tema no Executivo e Legislativo Federal (especialmente Ministério das Comunicações e Câmara dos Deputados). Outra razão para essa ausência é que nem no âmbito federal há uma tradição no Brasil de desenvolvimento e implementação de políticas públicas de comunicação.
29 O direito à comunicação é antes de mais nada o direito de comunicar, de ser informado e de informar, de escolher e ter acesso à diversidade de opiniões e é esse o espírito do debate proposto pelo Governo Lula quando estabelece o ano de 2009 como o ano da I Conferência Nacional de Comunicação. O Ministério das Comunicações divulgou (12/3), a criação do Conselho Consultivo da Comunicação, que vai discutir os novos rumos do setor no Brasil, especialmente a convergência digital e as políticas públicas. Estão incluídas as telecomunicações, radiodifusão, internet e inclusão digital. Há muitos interesses em jogo na discussão de um novo marco legal. Foi apresentado, na mesma semana, mais um projeto de Lei que trata da produção, programação e transmissão de conteúdo audiovisual por telefonia, internet e outras plataformas. Trata-se do PL 332/07, dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Walter Pinheiro (PT-BA).
30- O que é cultura? Em primeiro lugar, devemos ter em mente que "cultura" é um conceito usado genericamente para falar da totalidade dos valores e das práticas humanas. Neste sentido, cultura é tudo o que é produzido pelo ser humano enquanto não é próprio da natureza. Em um segundo sentido, costumamos chamar de cultura um tipo de recorte para definir práticas relacionadas às artes e às chamadas ciências humanas voltadas à pesquisa de cunho antropológico e social. Distinguem-se das ciências duras voltadas para a pesquisa sobre a natureza.
31- Podemos responsabilizar a educação e até mesmo a família como tantos fazem. Podemos dizer que o desinteresse das massas é promovido pelos meios de comunicação. Estamos diante do velho dilema de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. O problema da educação, da família, dos meios de comunicação, é o problema geral da sociedade – sociedade civil, governo, esfera privada e pública – que não se importa com a formação de seus cidadãos porque ela não dá lucro. Curiosamente, a educação que dá lucro, aquela das escolas privadas, vai muito bem no Brasil. O acesso aos bens em geral, inclusive os culturais, dos que tem poder econômico não é um problema real
32- realidade sócio-cultural das crianças, assim como dos adultos, está em constante mudança. Além das antigas brincadeiras e dos brinquedos, elas estão em contato com vídeo game, microcomputador, e principalmente com a televisão, que traz consigo não apenas distração e entretenimento, mas elementos que interferem diretamente em seu desenvolvimento. Através de programações coloridas e organizadas em forma de espetáculo, a TV desperta, desde cedo, o gosto pelo consumo, ensinando valores, normas, conceitos, etc. As crianças, expostas às programações reproduzem coreografias, modos de falar de personagens, músicas que estão na moda, atitudes presenciadas, dentre outros aspectos.33- No mundo moderno a escola ganhou um auxílio no processo de formação: os meios de comunicação. Resultado das transformações tecnológicas surgidas no século XX, a mídia exerce um papel determinante na formação do sujeito coletivo. Todo este aparato técnico desenvolvido principalmente nas últimas décadas deflagra a importância do sistema de comunicação eletrônica na organização e controle da sociedade. Além de diversos fatores relacionados à mídia – que trabalharemos em outra oportunidade – um deve aqui ser ressaltado: a função de transmissor de valores. Esta capacidade de fazer parte do processo de formação faz com que a ausência dos veículos de comunicação seja inconcebível na complexa organização das sociedades modernas. Exemplo disso é que atualmente o mundo o mundo pode se comunicar de uma maneira bastante ágil e fácil, mostrando que a vida social tem nestes veículos um suporte necessário.
34- Atualmente, o Brasil não possui nenhum tipo de regulação na internet, por isso o governo federal pretende criar um marco regulatório civil para a rede, que terá questões como responsabilidade civil de provedores e usuários, privacidade de dados, neutralidade da rede (vedação de discriminação ou filtragem de conteúdo) e direitos fundamentais do internauta.Outro ponto abordado será a responsabilidade civil dos provedores e suas garantias. Nos Estados Unidos, os provedores não são responsáveis pelo conteúdo disponibilizado pelos usuários. Eles só são responsabilizados caso sejam alertados sobre alguma ilegalidade e não tomem providências. Na Europa, os registros são guardados por dois anos, segundo diretiva do Parlamento Europeu. A lei brasileira deveria garantir que os dados do usuário não sejam vendidos e fiquem armazenados por pouco tempo. Ficarão fora do marco regulatório questões como e-mail corporativo e tributação do comércio on-line.
35- A afirmação das diferenças e subjetividades, das identidades de gênero, étnicas e raciais, é uma das tendências da contemporaneidade. Neste contexto, os meios de comunicação, em resposta ao seu papel de formação da opinião pública e de difusão de informações e valores, poderiam inovar e incentivar essa pluralidade. No sentido contrário, segue a prevalência na mídia da homogeneização das representações nacionais e da imposição de padrões sociais. Assim para garantir que se manifestem a pluralidade e a diversidade de visões de mundo presentes na sociedade, é preciso garantir a ampla participação dos diversos setores sociais nesses espaços. No entanto, o caráter desta esfera midiática se mostra hoje prioritariamente privado
36- Os modelos que nos são colocados pelos meios de comunicação influenciam na formação da nossa subjetividade. O que passa na TV está aceito, e este modelo é eurocêntrico: branco, alto, magro. Eu, como mulher brasileira, não me reconheço nesta diversidade", afirma a pesquisadora Rachel Moreno, do Observatório da Mulher. Além desta imposição de padrões de beleza, a mídia pode hoje ser considerada pela produção da realidade: o que sai no jornal é real; o que não sai, não existe. Portanto, se as mulheres representadas nos meios de comunicação social seguem um padrão praticamente único, tudo o que está fora deste padrão é invisível."
37- O debate em torno da definição do marco regulatório para o setor das comunicações no Brasil surge diante da necessidade em se definir regras a partir das quais Estado, mercado e organizações da sociedade identificam suas competências e estabelecem empreendimentos diversos, visando a ordenação do setor e sua efetiva regulamentação.No que diz respeito à Comunicação, a adoção de um marco regulatório se faz mais do que necessário: seja pela legislação defasada (o Código Brasileiro de Radiodifusão é de 1962, atualizado em 1967, pleno período de ditadura militar; a Lei Geral de Telecomunicações de 1997, quando ainda não havia Internet comercial no país), seja pelo desrespeito à legislação vigente, inclusive a Constituição Federal, no tocante à formação de monopólios e oligopólios, a ausência de estímulo à produção regional e a repressão aos meios comunitários.
38- No mundo atual, não existe sociedade civil homogênea, especialmente num país desigual como o Brasil. Portanto, ao invés de uma abstrata opinião pública, existe aqui um número de opiniões públicas tão grandes quanto o dos diferentes grupos e classes sociais. Mesmo quando se trata de princípios e postulados gerais, que fazem parte do conjunto de crenças e valores da sociedade, persiste a diversidade de interesses e opiniões. E é a essa diversidade que a estrutura dos meios de comunicação se contrapõe. Na mão de poucos, são poucos os que decidem sobre a agenda dos assuntos a serem tratados. Também são poucos os que fazem a arbitragem das questões em conflito. Em suma, publica-se o que interessa a uns poucos, da maneira que interessa a esses poucos.
39- O maior problema do Brasil é a desigualdade social. Fazendo-se uso de um velho instrumento de manipulação da mídia nativa, a repetição (mensalão, mensalão, mensalão, apagão, apagão, apagão), afirme-se diversas vezes: o maior problema do Brasil é a desigualdade social, o maior problema do Brasil é a desigualdade social, o maior problema do Brasil é a desigualdade social. A desigualdade social é a mãe e o pai da fome, da precariedade da saúde e educação, do fluxo migratório do campo para as cidades, da falta de habitação e transporte, da violência que aterroriza a classe média e mata os pobres, da seletividade da justiça, da ausência de representação política, da impossibilidade de democracia, da explosão das favelas, do comércio de sexo das crianças e dos adolescentes, da exploração do trabalho infantil, enfim, de todos os graves problemas que atormentam a sociedade brasileira contemporânea. Entretanto, tratar da desigualdade social e de suas causas nos meios de comunicação é um sonho impossível. Pautar um assunto tão importante implicaria na análise das estruturas sociais anacrônicas do país. E essa análise traria com ela o reconhecimento de que o Brasil continua perseguindo um modelo de crescimento econômico injusto e cruel, um modelo que beneficia uma minoria privilegiada e condena milhares de pessoas à exclusão social e à violência da miséria.
40- O atual processo de globalização e de competição intensa exige definições extremamente claras. Ou sabemos identificar uma opção para nós mesmos, para em seguida oferecê-la com a mesma clareza aos mercados e à sociedade, ou ficaremos para sempre envoltos em sombras e ambigüidades, portanto vulneráveis. Isso vale para grandes grupos empresariais, para instituições públicas, para profissionais, para produtos, para serviços e veículos jornalísticos, e vale também para as pessoas. As pessoas têm que se definir e também perguntar "a que vim?", "o que eu sou?", "que contribuição tenho a dar à sociedade?", "papel devo desempenhar dentro de uma organização?".Assim, a defesa do direito à comunicação deve incluir a defesa da liberdade de expressão, o direito à informação e o direito ao conhecimento. Só com a combinação desses diferentes elementos é que os cidadãos podem conquistar autonomia e exercer plenamente sua cidadania.
41- Os estudiosos da questão racial acreditam que o brasileiro tem "preconceito de ter preconceito". Para eles, essa frase é o discurso mais sintetizador do modo como as relações entre as raças se formaram no país.A mídia se posiciona em relação a esse nosso tipo racismo que vem sendo chamado de "racismo à brasileira". Comumente os profissionais da mídia dizem que ela retrata a realidade social do Brasil e que se os negros não estão na publicidade ou se ocupam papéis subalternos na ficção da Tv é porque esta é a sua situação na sociedade brasileira.
42- A mídia é preconceituosa e discriminadora. Mais do que isso, a mídia absorve o racismo da sociedade brasileira, esse racismo que ela mesma denomina de cordial e que tão bem é incorporado nos produtos que veicula.Em outros momentos captamos exemplos mais precisos desse preconceito (não assumido) que esconde sua cara e que fabrica, por exemplo, peças publicitárias de extremos conteúdos racistas, implícito ou explicito. Nada é suficientemente óbvio e transparente num país cuja identidade está profunda e enraizadamente marcada pela ideologia da democracia racial.
43- O mito da democracia racial ainda impede as pessoas de reconhecê-lo, seja no cotidiano de suas vidas, seja na ficção produzida pela mídia. Os jornalistas, como os demais profissionais da comunicação, são socializados de modo a absorver, acreditar e defender a idéia da democracia racial.A formação universitária se exime de discutir a questão nas salas de aula, o que contribui para que os alunos, futuros profissionais, atentem para a existência desse racismo que foi chamado de "cordial" pela própria grande imprensa. Cordial porque raramente agride abertamente, porque estabelece relações ambíguas que possibilitam que os atingidos fiquem na dúvida se realmente estão sendo vítimas de preconceito ou não. E permite que muitas vezes, sejam eles próprios chamados de racistas ou mesmo "complexados".
44- Segundo o IBGE, aproximadamente metade da população brasileira é negra, mas a invisibilidade da população afrodescendente ainda é a regra nos meios de comunicação. Por isso, líderes do movimento reivindicam o fim da disseminação do racismo na mídia e o acesso dos negros e negras à produção e difusão de informação. "A mídia ainda trata o negro no sistema escravocrata", avalia Mariângela Frasão, do Fórum de Mulheres Negras do Estado de São Paulo. "O negro permenece sendo associado a uma imagem de subserviência, a uma imagem do negro com uma atitude menor, do negro que não pensa, do negro que não tem ideologia".
45- Brasil não é um país racista, mas é, sim, um país onde existe racismo. Esta é a definição dada por uma recente pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP-2008), cujos números indicam que 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito, mas 98% dos participantes da pesquisa disseram conhecer pessoas que manifestam discriminação racial.O documentário A negação do Brasil, de Joel Zito Araújo, que analisa os papéis atribuídos aos negros nas telenovelas brasileiras. Porteiros, empregadas domésticas, babás e escravos; estes são os personagens que os negros mais representam na televisão. "Estes personagens subordinados representados pelos negros reafirmam a sua subordinação social. E assim, a mídia é usada como reforço do papel do negro na sociedade.
46- Falar de mídia não é apenas abordar a mídia da diversão. Em uma abordagem mais completa, é importante falar dos jornais e telejornais na questão do racismo. Em seu discurso, a mídia informativa é contrária a quaisquer tipos de preconceito racial, mas, contraditoriamente, é contrária também às políticas e ações afirmativas, como as cotas raciais, por exemplo, mas fica claro ao observarmos um debate, por exemplo, onde grande parte dos debatedores é contrária a estas políticas.
47- A liberdade de expressão é possível e salutar quando há educação e cultura, e a recíproca é verdadeira, o cerceamento da liberdade de expressão acontece quando impera a ignorância e o medo. Hoje, quando diversos grupos lutam para promulgação de mais e mais leis que limitem a liberdade de expressão, precisamos da mídia para falar por nós. A mídia é a nossa voz, mas ela precisa fazer sua parte e defender a liberdade de expressão sempre e não somente quando é do seu interesse.
48- Na Constituição de 1988, o controle sobre a comunicação no país ficou de fora dos mecanismos previstos para outras áreas. A idéia do accountability (acompanhamento das políticas adotadas pelo Estado pela sociedade fora do Estado) não se aplica no caso da comunicação no Brasil, mesmo que no caso da radiodifusão que é concessão de serviço público. controle social não é a crítica da mídia, o ombudsman, um observatório ou programas etc., mas sim aquele a ser exercido com participação social que possa levar à sanção, que leve a algum resultado, multa, suspensão, até a cassação da concessão. O sujeito desse controle é o cidadão.
49-o direito à comunicação é muito mais amplo e implica numa idéia onde o compartilhamento e a troca são necessários. Todos deveriam ter o direito a não apenas receber, mas transmitir informações e pontos de vista. Este direito, na forma como a comunicação tradicional hoje se estrutura, não é garantido à sociedade o que prejudicaria a consolidação da democracia e aumentaria ainda mais a exclusão social.O primeiro aspecto a ser transformado nesta realidade seriam os próprios veículos de comunicação. Considerada uma instituição com papel central na estrutura social, a mídia hoje mantém sua unidirecionalidade, sem abertura para a participação de todos. É preciso repensar a mídia, levando em conta a comunidade, com acesso em local público e possibilidade produção de conhecimento pelas próprias pessoas que ali estão utilizando o serviço,
50- As necessidades de comunicação em uma sociedade democrática devem ser atendidas com a ampliação de direitos específicos, tais como o direito de informar e ser informado, o direito à privacidade, o direito de participação na comunicação pública - todos estes elementos de um novo conceito: o direito de comunicar-se. Ao desenvolvermos o que pode ser chamado de uma nova era de direitos sociais, sugerimos que todas as implicações do direito de comunicar-se sejam mais exploradas. Os direitos à comunicação se baseiam na ação de comunicar, na realização de uma interação entre pessoas. Eles garantem que a liberdade de interagir com os outros gere por fim um ciclo de comunicação, do qual podem resultar o aprendizado, o entendimento e a cooperação. Uma abordagem inicial da meta dos direitos à comunicação é portanto: assegurar a geração de um ciclo de interação considerado, criativo e respeitado entre pessoas e grupos, que endosse na prática o direito de que todos possam igualmente se expressar, ouvir e serem ouvidos em suas idéias, assim como serem considerados e atendidos.


















































Bottom of Form 3
AUREMACIO CARVALHO

PROPOSTAS PARA O PLANO DE AÇÃO DO COMITÊ
ESTADUAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS/MT
PERÍODO: MAI/2009-MAI/2011
O presente Plano de Ação propõe-se a apontar as ações a serem desenvolvidas pelos integrantes do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos, com vistas à institucionalização e funcionamento, legitimação e fortalecimento do mesmo. As ações aqui propostas serão discutidas e aprovadas em reunião do Comitê, devendo ser realizadas no período de mai\09 a mai/11, pelos integrantes do Comitê visando, ao final, a elaboração de um Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos com o envolvimento de representantes da sociedade civil e do Estado ; e a institucionalização do Comitê, como uma instância permanente de discussão e subsidio a implementação da educação em direitos humanos como política transversal e interdisciplinar, como preconiza do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos.
AÇÃO
PERIODO
ESTRATEGIA
PUBLICO ALVO
RESPONSAVEL
1) Articulação das entidades civis e órgãos governamentais com representação no Comitê; *articulação de novas entidades para comporem o Comitê com representatividade de acordo com os 05 eixos do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos ( Educação Básica; Educação superior; Educação não-formal, Educação dos profissionais dos sistemas de Justiça e Segurança; Educação e mídia)

mai/ago 2009
abr/ago-10

CONTATOS PESSOAIS E FORMAIS, com distribuição do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos; folderes, convites e outras publicações

Sociedade civil organizada, órgãos públicos das 03 esferas de Governo; Assembléias e Câmaras Municipais; público em gera, mídia etc.

DIREÇÃO e Membros do Comitê
AUREMACIO CARVALHO

PORTE ILEGAL DE ARMA SEM MUNIÇÃO: É CRIME?
(*) AUREMÁCIO CARVALHO
O Minisro Ricardo Lewandowski do STF, relatando o Habeas Corpus 90197, e, 09/06/09, exarou a seguinte decisão: " Penal: porte ilegal de arma. Ausência de munição. Atipicidade. Não ocorrência. Para configuração do delito de porte de arma de fogo é irrelevante o fato de a arma encontrar-se desmuniciada e de o agente não ter a pronta disponibilidade de munição... no caso, cogita-se da eficácia da arma para configuração do tipo penal em comento... porque a hipótese seria de crime de perigo abstrato para cuja caracterização desimporta o resultado concreto da ação." Ou seja, o ilustre Ministro perfilha o entendimento de que, mesmo sem munição, a arma de fogo é potencialmente perigosa e cria perigo abstrato, que pode ser visto também, como o impacto psicológico e amedontrador que uma arma de fogo- verdadeira ou plástico, carregada aquela ou não, causa na vítima. É uma mudança de posição relevante na Suprema Corte, que vinha, até então, desconsiderando o tipo penal quando a arma estava sem munição, não ter poder de eficácia ( arma velha e imprestável). Interessante que, quase no mesmo mês, o Miistro Eros Grau determinou o trancamento de uma ação penal em que o portador da arma- espingarda sem munição foi preso em flagrante. Entendeu o Ministro: " uma vez que a arma desmuniciada ou sem possibilidade de pronto municiamento não configura o delito previsto no art. 14 da Lei 10.826/2003" ( HC 97.811/SP, de 09/066/09. A questão é: a arma - municiada ou não, deve ser considerada per si, ou se deve analisar seu potencial resultado em uma ação delituosa? O crime de porte ilegal de arma de fogo, atualmente tipificado no art. 14 do Estatuto do Desarmamento ( lei 10.826/2003) não entra no mérito se arma está ou não com munição, se tem ou não potencial letal; daí, a divergência de entendimento dos Ministros do Supremo e também, de muitos Juízes no Brasil todo. O que se deve analisar, no caso concreto, é se a arma de fogo estava apta a gerar a violência, a luz do princípio da ofensividade. Entendem muitos Juízes- de todo o Brasil, que, diante da inidoneidade da arma de fogo para a produção do disparo,pela ausência de munição ou pela impossibilidade imediata de o agente municiá-la, a conduta penal é atípica, portanto, irrelevante penalmente. Já outra corrente, não pequena, de julgadores, entende o contrário, basendo-se em aspectos subjetivos- o impacto psicológico e amedrontador que uma arma de fogo causa na vítima- que não sabe ou não consegue discernir, naquela situação, se a arma é verdadeira ou de plástico, se está carregada ou não.( já passei por uma situação dessas). Decisões como essas ( não identificarei o Juizo): " "Ao cumprir um mandado de busca e apreensão domiciliar, se a polícia encontrar uma arma de fogo não registrada no interior da residência, o crime subsiste. A causa de extinção de punibilidade só incidirá se o interessado voluntariamente entregar a arma de fogo, buscando por iniciativa própria a polícia federal". Ou, a pessoa que for flagrada na posse de arma de fogo de uso permitido, não registrada, após 31 de dezembro de 2008, ou na posse de arma de fogo de uso proibido ou restrito, de numeração raspada ou suprimida, desde 24 de outubro de 2005, incidirá na conduta típica prevista no Estatuto do Desarmamento.O Estatuto do Desarmamento delineou bem a diferença entre as condutas: a posse consiste em manter no interior da residência (ou dependência desta ou no local de trabalho, a arma, acessório ou munição. O porte, por sua vez, pressupõe que a arma, acessório ou munição esteja fora da residência ou do local de trabalho.Uma das metas da Lei 10.826 é a retirada de circulação do maior número de armas de fogo possível, visando reduzir os índices de violência e o sentimento de insegurança social. Assim, o art. 30 do Estatuto do Desarmamento previu formas de regulamentar as armas que permaneceriam em poder da sociedade, e o art. 32, uma maneira de incentivar a entrega de armas à autoridade policial, Ficou bastante evidente, pois, a mens legis. O legislador não quis descriminalizar toda e qualquer conduta de possuir arma de fogo mas incentivar a regularização das armas registráveis e combater, pelo enquadramento legal, as armas não registráveis, ou seja, aquelas de uso proibido, restrito , de numeração raspada ou suprimida, que são as armas que fomentam a marginalidade, o crime organizado e o contrabando, aparecendo com destaque nas estatísticas da violência. O TJ do Paraná, por exemplo, por sua Segunda Câmara Criminal, que é a especializada em julgar os crimes contra a incolumidade pública, tem assentado, por ora, entendimento de que a posse de arma de fogo de uso proibido, ou restrito, com numeração raspada ou suprimida, e portanto, não registrável, está fora dessa descriminalização temporária.( Apelação Criminal n.º 466.157-4, em 26/6/08, e os Habeas Corpus n.º 499.791-7 e n.º 501.089-5,). O STJ, por sua vez, firmou entendimento de que é atípica a conduta de possuir arma de fogo irregularmente, tanto de uso permitido (art. 12 da Lei 10.826) quanto de uso restrito ou proibido (art. 16 da Lei 10.826) até 23 de outubro de 2005, conforme dispunha a redação dos artigos 30 e 32 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) com as alterações feitas pelas Leis 10.884/04, 11.118/05 e 11.191/05. A polêmica está criada e cabe a todos os operadores do Direito- Juizes, promotores, defensores públicos, advogados, academia e cidadãos - se posicionarem. Segundo pesquisa, 17 milhões de armas de fogo estariam em circulação no Brasil, conforme estimativa divulgada pela ONG Viva Rio(2008). Dessas, só 49% são legais; 28% seriam armas ilegais de uso informal e 23%, armas ilegais de uso criminal; 3,5% dos domicílios brasileiros têm algum tipo de arma de fogo, porcentual muito inferior inclusive que de países com menores índices de criminalidade, como Canadá (30%), França (24,5%) e Suíça (35%). 443.000 armas de fogo foram entregues pela população no primeiro ano da campanha de desarmamento. A expectativa do governo era de receber 80.000 armas. A campanha do país só perde para a da Austrália (600.000 armas).72% das armas usadas em crimes entre 1999 e 2005 no Rio de Janeiro pertenciam a cidadãos de bem e caíram nas mãos dos bandidos em assaltos e outros crimes, segundo pesquisa da Secretaria Estadual de Segurança Pública; 61% dessas armas desviadas no Rio tinham sido compradas em lojas, sendo que 33% eram registradas e 39% não tinham registro. O resto dos armamentos usadas em crimes, 28%, eram provenientes do tráfico de armas. 21,72 óbitos em cada grupo de 100.000 habitantes é a taxa de mortalidade por arma de fogo no país, conforme estudo da Unesco. O Brasil ocupa a 2ª posição no ranking de mortes por armas de fogo, perdendo só para a Venezuela (30,34 a cada 100.000). O Japão foi o país com melhor índice - apenas 0,06, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS); .40.000 pessoas morrem anualmente com o uso de armas de fogo no país; 39,1% dos adolescentes com idades entre 15 e 19 anos mortos no país em 2005 foram vítimas de armas de fogo. No mesmo ano, acidentes de carro mataram 14,8% desse contingente; 19,9% morreram de causas naturais; desses, 30,01% são negros, pobres e da periferia. Pistolas ponto 40, 7,65 ou o 38 ("tresoitão" na gíria) são preferidos. A polêmcia está formada e muito mais do que posições acadêmicas e pessoais, a questão é de saúde pública; é de políticas públicas, muito menos do que de polícia. Numa cidade como Cuiabá, onde nove pessoas são assassinadas num final de semana, o assunto é atual, urgente e grave. Precisamos de um PAC PELA VIDA.
(*) Auremácio Carvalho é advogado e sociólogo; ex-Ouvidor de Polícia de Mato Grosso.











AUREMACIO CARVALHO
O desafio do analfabetismo

O Brasil está apto a comemorar um acontecimento importante, a despeito de demasiadamente tardio: paramos de produzir analfabetos. Isso porque quase 100% de nossas crianças adquirem, via sistema escolar, condições mínimas para "ler e escrever um bilhete simples", o conceito mais usual de "alfabetizado" no âmbito das estatísticas oficiais (inclusive em nível internacional). A forte escolarização na base da pirâmide (7 a 14 anos), sobretudo nos anos 90, acelerou o declínio do analfabetismo em período recente. Mas, essa fonte de indução está perdendo força. Evidência disso é que, em Mato Grosso, a taxa de analfabetismo declinou em média 0,86 pontos percentuais a cada ano, entre 1981 e 1996, e apenas 0,33 pontos percentuais ao ano, entre 1997 e 2008. A transmissão do analfabetismo para as gerações futuras, na marca dos 14 anos de idade, tem sido de aproximadamente 1,6% em Mato Grosso. O ideal seria reduzir esse índice a algo próximo de zero, o que dependeria da tarefa difícil de ter 100% das crianças na escola, em lugar dos atuais 97%, além da melhoria da própria educação servida às crianças. Isso porque o sistema escolar não consegue alfabetizar a totalidade das crianças, mesmo no curso das quatro séries iniciais. Mas, o desafio maior do analfabetismo é o desafio de acertar contas com o passado. Com efeito, embora a taxa de analfabetos atinja modestos 1,8% na população de 15 a 24 anos, à medida que avançamos na estrutura etária ela vai a 6,4% (35 a 44 anos), 14,3% (45 a 54 anos), 22,1% (55 a 64 anos) e impressionantes 41% na população com 65 anos ou mais. No conjunto da população de 15 anos ou mais a taxa é de 9,6%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad, 2008). Como a população está em processo de envelhecimento, em função da redução da natalidade e do aumento da expectativa de vida (dois acontecimentos desejáveis), a taxa de analfabetismo seguirá em ritmo mais lento de redução, de modo que somente nas proximidades de 2030 teremos índices equiparáveis aos alcançadas pela Argentina em 2000 (3%)! Mato Grosso tem nada menos que 214 mil analfabetos com 15 anos ou mais de idade, um contingente quase do tamanho da população de Várzea Grande. Desse contingente, 69,32% (148,3 mil) tem idade entre 15 a 64 anos e 30,68% (65,6 mil) estão com mais de 64 anos. Há outros 22 mil analfabetos na população de 7 a 14 anos, mas usualmente não são considerados nas estatísticas, uma vez que integram uma faixa de escolarização obrigatória. Portanto, temos um analfabetismo ainda relativamente "jovem", de sorte que nada justifica entregar à demografia (e ao tempo) a tarefa de reduzir esses índices a níveis civilizados. Reduzir o analfabetismo no Estado a 3% é uma tarefa monumental. Em termos atuais (2008), exigiria retirar da condição de analfabetos nada menos que 146,7 mil pessoas jovens e adultas. Mas, talvez não seja impossível alcançar pelo menos a metade desse público, ao longo de uma década, mediante grande mobilização social e parcerias com prefeituras, universidades e sociedade civil. Admitindo que a redução natural do analfabetismo prossiga em 0,33 pontos percentuais ao ano, se alfabetizarmos 70 mil pessoas em uma década, em 2018 estaremos empatados com o nosso maior rival no futebol, supondo que as coisas por lá permaneçam mais ou menos como estão. Há um importante gargalo a enfrentar: a formação de professores, hoje orientada quase exclusivamente para a educação de crianças. Eis aí uma forte evidência de que a alfabetização de adultos foi abandonada pelo estado brasileiro. É inaceitável continuar condenando tanta gente à escuridão, quanto mais num mundo de informação e conhecimento, prolongando uma injustiça social de longa data. No mais, vale lembrar que o analfabetismo está intimamente associado com a pobreza, a mortalidade infantil, a baixa autoestima e a ausência de cidadania. * EDMAR AUGUSTO VIEIRA, Mestre em Economia e gestor governamental (Seplan/MT)
AUREMACIO CARVALHO

A INTERNET COMO ARMA DE MONITORAMENTO DO PODER PÚBLICO
(*) AUREMÁCIO CARVALHO

No mundo moderno, principalmente nos últimos 10 anos, uma nova ferramenta entrou em cena: a internet. O sistema universal de acesso a todo tipo de informações: basta acessar um "www" ou um site de busca, como o google, yahoo etc, e, de imediato, se tem acesso ao mundo, para o bem ou para o mal, pois a internet é incontrolável e democrática- e assim deve permanecer e nela, tudo circula. No caso das ações dos governantes, também a internet pode ajudar a nós, cidadãos comuns, acompanhar, fiscalizar, elogiar e cobrar punições de maus administradores. É o moderno conceito de governança digital, ou e-gov. Democracia eletrônica. O que é isso? A . good governance foi uma exigência do Banco Mundial aos países da África e America Latina, que implica na condução equitativa, transparente e eficaz dos negócios do Estado. Significa, assim, a direção e a gestão responsável, sustentada, eficaz e justa dos recursos públicos; o termo governance trata das relações entre os atores sociais que, por sua vez, são distintos em seus recursos de poder. Essas relações, conforme o autor, são reguladas por normas e procedimentos institucionalizado.O advento das Tecnologias da Informação e Comunicação-TICs, principalmente da internet, portanto, vem oportunizar a participação dos cidadãos na condução dos seus destinos. Dessa forma, ocorre o aperfeiçoamento da democracia. A telemática – a união das tecnologias de informação e de comunicação eletrônicas digitais e convergentes – oferece meios poderosos e cada vez mais baratos de aperfeiçoar nossa democracia, pagar nossa dívida social e estimular nossa economia. Desse modo, a otimização da prestação de serviços do governo, da participação dos cidadãos e da administração pública pela transformação das relações internas e externas através da tecnologia, da Internet e dos novos meios de comunicação é uma forma de "democrácia direta" prevista no art. 1º da nossa Carta Maior.Assim, esse sistema permite, entre outras, várias ações do cidadão:a) Entrega de declaração do imposto de renda; b) Emissão de certidão de pagamento de impostos; c) Divulgação de editais de compras governamentais; d) Cadastramento de fornecedores; e) Acompanhamento de processos judiciais; f) Acesso a indicadores econômicos e sociais e dados dos censos; g) Prestação de informações sobre aposentadorias e benefícios da previdência social; h) Envio de mensagens pelos correios, por meio de quiosques públicos; i) Informações sobre programas do governo federal.O cidadão dispõe de 03 grandes portais para isto: o Programa Sociedade da Informação; o Brasil Transparente; e o Br@sil.gov. Ao acessar informações como essas, o cidadão fica sabendo como o dinheiro público está sendo utilizado e passa a ser um fiscal da sua correta aplicação. O cidadão pode acompanhar, sobretudo, a forma como os recursos públicos estão sendo aplicados no município onde mora, ampliando as condições de controle desse dinheiro que, por sua vez, é gerado pelo pagamento de impostos. Observa-se hoje, no Brasil e no mundo, a renovação de modelos de "democracia participativa", as perspectivas de uma "democracia forte" e, ultimamente, de "democracia deliberativa". O uso da internet internet permitiria resolver o problema da participação do público na política que afeta as democracias representativas liberais contemporâneas, pois tornaria esta participação mais fácil, mais ágil e mais conveniente (confortável, também). Isso é particularmente importante em tempos de sociedade civil desorganizada e desmobilizada ou de cidadania sem sociedade; também, permitiria uma relação sem intermediários entre a esfera civil e a esfera política, bloqueando as influências da esfera econômica e, sobretudo, das indústrias do entretenimento, da cultura e da informação de massa, que nesse momento controlam o fluxo da informação política. A internet é um recurso valioso para a participação política, desde que se tenha um computador e capital cultural( mínima alfabetização) para empregá-lo no interior do jogo democrático. A desigualdade registrada entre pobres e ricos entra agora na era digital e ameaça se expandir com a mesma velocidade das tecnologias de comunicação. Desse modo, a exclusão digital se apresenta como um dos maiores desafios deste inicio de século.um dos mais significativos deafios é a necessidade de assegurar a participação dos excluídos neste processo, pois é justamente a participação dos excluídos, que são a maioria, que confere legitimidade ao governo, fazendo com que este seja verdadeiramente um Estado Democrático de Direito.não havendo a democracia perfeita, a democracia há de ser sempre uma tarefa inacabada. Nesse sentido, a democracia eletrônica surge como alternativa para o fortalecimento e incremento das potencialidades de participação civil na condução dos negócios públicos. Desse modo, a governança eletrônica é uma consequência da democracia eletrônica e vice-versa. Percebe-se, ainda, que a democracia eletrônica é um processo em construção, que chega para reforçar a democracia convencional e não para substituí-la.O cidadão necessita receber informação correta, de qualidade e ter liberdade de aceitá-la ou não; e mais, poder pensar sobre ela e formar seu convencimento ou opinião. É preciso que ele tenha consciência de que a tecnologia não é neutra e de que o acesso ao conhecimento lhe confere um determinado grau de poder na sociedade em rede, de tal forma que o exercício pleno da cidadania e a influência dos cidadãos no processo democrático utilizando as modenas ferramentas digitais.
(*) Auremácio Carvalho é advogado e sociólogo.