AUREMACIO CARVALHO
Nos últimos 30 anos, gravidez adolescente cresce apenas na A.Latina

Madri, 22 jan (EFE).- A América Latina é a única região do mundo que registrou um aumento contínuo da gravidez adolescente desde 1980, diz um relatório divulgado nesta quinta-feira em Madri pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ).Intitulado "Reprodução adolescente e desigualdades na América Latina e no Caribe: um chamado à reflexão e à ação", o documento de 120 páginas é obra da OIJ e de dois organismos da ONU, a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês).O texto ressalta que "a América Latina é a única região do mundo na qual, nos últimos 30 anos, a taxa de maternidade adolescente cresce, mais do que na África", disse a secretária-geral adjunta da OIJ, Leire Iglesias.Na apresentação do documento, Iglesias, que estava acompanhada do secretário-geral da OIJ, Eugenio Ravinet, recalcou que "a taxa de maternidade não desejada cada vez aumenta mais na região".Dezessete países foram incluídos no estudo: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.O documento, que analisa o grupo de adolescentes entre 15 e 19 anos, mostra também que, de cada mil gestações na América Latina, 73,1 são de adolescentes e "provavelmente indesejadas", declarou Ravinet.Esse número é muito superior à média mundial, 54 gestações adolescentes por cada mil, apontou o principal responsável da OIJ.Segundo o relatório, "com a exceção de países como Brasil e Colômbia, que pesam muito em termos demográficos, a tendência da taxa de maternidade adolescente na região é de crescimento", explicou Iglesias.Ao falar sobre a maternidade adolescente e a influência de fatores socioeconômicos, o estudo constata que "quanto melhor o sistema educacional, menor a taxa de gravidez indesejada em adolescentes".Além disso, "cada vez influem menos a procedência da mulher, se é da zona rural ou de áreas urbanas", e "os níveis de formação, já que os sistemas educacionais possibilitam que todos tenham acesso a uma formação elementar", disse Iglesias.No entanto, um condicionante que continua sendo muito importante é o nível de renda, pois "quanto mais pobreza, mais chances de ter uma gravidez indesejada".A respeito do perfil dos pais adolescentes, os pesquisadores reconhecem que "há pouca informação", mas constatam que "as variáveis socioeconômicas e de renda não são tão determinantes nos homens como nas mulheres"."No caso dos homens, as relações de risco ocorrem independentemente da variável dos comportamentos socioeconômicos", disse Iglesias.Diante dessas conclusões, Ravinet não hesitou em afirmar que "não podemos ficar satisfeitos com o que vimos"."Sempre há anúncios de grandes programas de prevenção da gravidez adolescente, grandes campanhas de educação sexual nos colégios, e geralmente não dão em nada", opinou o secretário-geral da OIJ.Ravinet alertou que, diante desta situação, "são milhares de mulheres cujas chances de se desenvolver e ter um vida mais confortável são prejudicadas".

NomeOrigem("Notícias - Agências - EFE - Geral");
Do: UOL Notíciashttp://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/01/22/nos-ultimos-30-anos-gravidez-adolescente-cresce-apenas-na-alatina.jhtm
AUREMACIO CARVALHO
Igreja “nunca aceitará” o casamento entre homossexuais

O cardeal patriarca de Lisboa afirmou hoje que a Igreja “nunca aceitará” o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, argumentando que a família se baseia no “contrato entre um homem e uma mulher”, “onde acontece a procriação”.
D. José Policarpo entende que a cidade precisa de famílias tradicionais (Joana Bougard (arquivo))
D. José Policarpo escolheu o dia de São Vicente, principal padroeiro de Lisboa, para, numa homilia na Sé Patriarcal, declarar que “não se salvará a cidade se não se salvar a família”. Esta é a primeira intervenção pública do cardeal patriarca de Lisboa após a polémica em torno da inclusão de casamentos entre homossexuais nos casamentos de Santo António, admitida pelos serviços camarários e depois recusada pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS). “Ajudar a família é, antes de mais, respeitá-la na sua dignidade e na sua natureza antropológica de instituição baseada no contrato entre um homem e uma mulher, que origine uma comunidade específica, onde acontece a procriação e a caminhada em conjunto na descoberta da vida”, declarou D. José Policarpo. Este é um dos “pontos concretos que desafiam o compromisso cooperante de todos os intervenientes na construção da cidade” referidos pelo patriarca, que afirmou que “a participação da Igreja na construção da cidade tem de processar-se em convergência cooperante com outras instituições com responsabilidade, os poderes políticos, de modo particular o poder autárquico, a Santa Casa da Misericórdia, outras instituições da sociedade civil”. “Nessa participação no bem-comum da cidade, a Igreja está com os seus valores próprios”, recordou, depois de sublinhar que “o princípio da cooperação entre Igreja e os poderes públicos inspira a nova Concordata”. Para o cardeal patriarca, “o projecto de lei, recentemente votado na Assembleia da República, em ordem a reconhecer que uniões entre pessoas do mesmo sexo são casamento e fundam uma família, altera a dignidade da família natural, levará ao enfraquecimento da sua auto-estima e contribuirá para o enfraquecimento da comunidade familiar”. “A Igreja nunca aceitará a equivalência ao casamento das uniões entre pessoas do mesmo sexo, seja qual for o enquadramento legal que, porventura, lhe venha a ser dado”, declarou. D. José Policarpo afirmou também que a Igreja nunca permitirá, em nenhuma expressão da sua acção com famílias, “que as uniões de pessoas do mesmo sexo toldem a beleza e a verdade dos autênticos casamentos”. Com a aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o patriarca prometeu um “empenhamento renovado no apoio aos casais, valorizando a complementaridade e a estabilidade dos esposos”. Segundo o cardeal patriarca, a “fidelidade” e “harmonia” dos casais são “ameaçadas pela cultura ambiente, que veicula a provisoriedade de tudo e a dimensão consumista do próprio amor”. “A comunhão entre os esposos é bela, mas não é fácil. Os católicos sabem que a fidelidade e a profundidade do seu amor só é possível com a força de Deus, garantida no sacramento do matrimónio”, sustentou.
Fonte: http://www.publico.clix.pt/Sociedade/igreja-nunca-aceitara-o-casamento-entre-homossexuais_1419319; 22/01/10
AUREMACIO CARVALHO
Ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países
15.01.2010 - 14:44 Por Lusa

A presidente do Instituto Camões (IC), Ana Paula Laborinho, admitiu hoje que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro.

Portugal pretende apoiar o ensino do português em países como os Estados Unidos ou o Canadá
"Isso [fim do português como língua materna] tem de ser analisado caso a caso. Não significa descontinuar em todos os casos. Vamos ter de fazer uma avaliação caso a caso da situação dos países onde o português está e qual a melhor estratégia", disse à Lusa.Ana Paula Laborinho falava à margem da conferência "A Língua Portuguesa e as Relações Internacionais", que decorre hoje na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa."O objectivo é a integração do português nos sistemas de ensino", sublinhou a responsável.Nesse sentido, Ana Paula Laborinho reafirmou a intenção de Portugal apoiar o ensino do português em países como os Estados Unidos ou o Canadá, onde há anos o ensino é feito sobretudo em associações de emigrantes.A presidente do IC defendeu ainda a importância de se "reforçar a importância do português num instrumento de trabalho", considerando que essa é uma "linha fundamental".Nesse âmbito, Ana Paula Laborinho considerou também fundamental a formação de tradutores e intérpretes nos esforços para reforçar a presença do português junto de organizações internacionais.Sob o tema "À Conquista de Novos Espaços", o primeiro painel da conferência contou com os temas "O Papel do IC na Promoção Externa da Língua Portuguesa" e "Tétum e Português, Línguas co-oficiais de Timor-Leste".Ao falar sobre este último tema, Isabel Feijó, que esteve a dar formação em Timor-Leste, debateu a problemática de, apesar de ser língua oficial, o português não ser falado ou percebido pela grande maioria dos timorenses e defendeu que a resposta para a expansão da língua portuguesa pode estar no tétum."Deve haver uma forte aposta no ensino formal do tétum - que tem uma grande base portuguesa. O tétum deve ser considerado património da Lusofonia e pode ser uma plataforma para a promoção do português", afirmou.A conferência termina esta tarde com um painel sobre "A Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais".
http://www.publico.clix.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/ensino-do-portugues-enquanto-lingua-materna-pode-acabar-em-alguns-paises_1418057; 15/01/10
AUREMACIO CARVALHO
Portugueses deixam casa dos pais mais tarde

Um estudo do gabinete de estatísticas da União Europeia, divulgado esta quinta-feira em Bruxelas, revela que os jovens portugueses enfrentam a precariedade no emprego e saem tarde de casa dos pais.
De acordo com os dados apresentados, em média, os homens portugueses deixam a casa da família aos 29,5 anos e as mulheres aos 28,5, numa tabela liderada pela Finlândia (23,1 e 22 anos, respectivamente) e França (24,2 e 23,1).
Na cauda da lista da União Europeia estão os jovens eslavos, que saem de casa aos 31,5 anos e 29,8, seguindo-se os da Eslovénia (31,5 e 29,6) e da Bulgária (31,5 e 27,7).
Relativamente ao emprego, os dados do segundo trimestre deste ano, apontam que mais de metade dos portugueses (54,2 por cento) com idades entre os 15 e os 24 anos têm contratos de trabalho temporário, sendo a média da UE de 39,4 por cento.

Entre os 25 e os 29 anos, quatro em cada dez (38,3 por cento) trabalhadores têm contratos a termo (UE27 20,4 por cento) e dos 30 aos 54 o número baixa para 16,6 por cento (UE27 9,2 por cento).

Cruzando a idade com o desemprego e o nível de escolaridade, o Eurostat - com base nos dados de 2008 - mostra que, em Portugal, na faixa dos 25 aos 34 anos, há 12,2 por cento de desempregados com um nível baixo de educação (19,2 por cento na UE).

Já com a escolaridade média, a taxa de desemprego é de 11,1 por cento (9,1 por cento na UE) e no nível elevado de educação baixa para 7,7 por cento (5,9 por cento na UE).

O mesmo estudo aponta que, em termos de ocupação de tempos livre, três em cada quatro jovens europeus entre os 16 e os 29 anos foi pelo menos uma vez ao cinema (77 por cento), mais de metade (54 por cento) assistiu a um espectáculo, e 49 por cento fez uma visita cultural, tendo como base dados de 2006. Em Portugal os números são, respectivamente, de 69, 70 e 46 por cento.

O Eurostat salienta ainda que, no dia 01 de Janeiro de 2009, havia 95 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos, na União Europeia.
fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=F35D1562-4B22-4D0F-8C22-30C958E50301&channelid=021-0000-0; 15/01/10
AUREMACIO CARVALHO
Mulheres vão à luta
Da Editoria
Nos últimos 40 anos, mais de 40 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho brasileiro, ou seja, praticamente uma Argentina. A parcela do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil gerada pela força de trabalho feminino no Brasil é maior do que o PIB de nosso vizinho portenho. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) apontam que 40% da renda das famílias brasileiras vem das mulheres. E não poderia ser diferente. Entre 2001 e 2007, 9 milhões de homens entraram no mercado de trabalho contra 12 milhões de mulheres.
Na comparação com décadas passadas, vemos que no período entre 1950-1980 apenas 19% das mulheres, em média, encontravam-se em atividades produtivas. Nessa época, as maiores taxas de atividades específicas estavam entre as mulheres com menos de 30 anos. Ao longo do tempo, não só os níveis de atividade, mas também o padrão de inserção das mulheres no mercado de trabalho se alterou bastante.
As transformações nas relações de gênero também foram significativas, com um grande aumento da autonomia das mulheres. Além da maior longevidade, as mulheres brasileiras apresentaram uma grande elevação da participação na População Economicamente Ativa (PEA).
É difícil fazer projeções precisas, mas supondo que nas três primeiras décadas do século 21 a taxa de atividade feminina fique no mesmo nível de 2000, vale dizer 44%, então teríamos uma taxa mais de duas vezes superior ao período anterior e uma maior inserção das mulheres com mais de 30 anos, geralmente casadas.
Contribui muito para essas maiores taxas de atividade o aumento dos níveis educacionais e a redução do número médio de filhos. As taxas de fecundidade que estavam acima de 6 filhos por mulher até a década de 1960 devem ficar abaixo do nível de reposição nas próximas três décadas.
Como no Brasil o trabalho doméstico e a criação dos filhos são responsabilidades, prioritariamente das mulheres, a queda da fecundidade representa uma menor carga de trabalho doméstico para elas. Nesse sentido, mulheres com maiores níveis de educação, vivendo mais anos e com maior participação no mercado de trabalho são uma fonte de riqueza para as famílias e o país porque representam uma maior oferta de trabalho feminino. Resta saber se haverá também uma valorização maior do trabalho da mulher para reduzir as discrepâncias salariais ainda existente na comparação com a força de trabalho dos homens.
Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/09/01/10
AUREMACIO CARVALHO
Técnicos avaliam prolíferação de seitas religiosas

Adelina Inácio - 12 de Janeiro, 2010
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Sociológo Simão Helena orientou a reunião
Fotografia: João Gomes

O Comité Técnico da Comissão Interministerial para o estudo e fenómeno religioso em Angola reuniu ontem, na Liga Africana, em Luanda, com as Igrejas não credenciadas com sede na capital do país, para as auscultar sobre a proliferação das igrejas e o fenómeno religioso. O director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, Manuel Fernandes, revelou que existem 83 igrejas reconhecidas e mais de 900 não credenciadas. O também membro do Comité Técnico da Comissão Interministerial disse, sem adiantar números, que Luanda é a província que mais pedido de abertura de Igrejas possui. O sociólogo Simão Helena, membro da Comissão Técnica, orientou o encontro e explicou aos líderes religiosos que o Governo angolano entende as dificuldades das igrejas e reconhece que a Igreja teve sempre um papel importante na história do país e por isso deve estar organizada.O sociólogo salientou que o Governo está preocupado com algumas igrejas que praticam “actos indecorosos na sociedade, perturbam as famílias com várias acusações”. “ Preocupa-nos o facto de algumas igrejas falarem em nome de Cristo, mas têm como objectivo único extorquir o dinheiro ao cidadão”, disse, esclarecendo que a Comissão está igualmente preocupado com o facto de muitas instituições religiosas levarem crianças para fora do país para as doutrinarem e melhor servirem as suas igrejas. O Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos encontra dificuldades nas suas acções para auscultar as igrejas não reconhecidas pelo Estado pelo facto de muitas delas estarem divididas. “Enquanto estiverem divididas e com várias siglas e designações não é possível o vosso reconhecimento, por muito boa vontade que o Governo tenha”, disse.Medidas para disciplinarO director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, Manuel Fernandes, afirmou que a instituição que dirige tem conhecimento das igrejas cujas práticas são contrárias à cultura do país. “No devido momento, o Governo vai decidir-se sobre o futuro destas igrejas”, realçou.Luís Manuel, da Igreja Convenção Cristã em Angola, fundada em 26 de Outubro de 2009, louvou a iniciativa da comissão interministerial e sublinhou que as igrejas que acusam as famílias, e principalmente as crianças, de feitiçarias devem ser responsabilizadas judicialmente, “porque devem pregar Jesus e não acusar quem quer que seja”. Sebastião Chiquete, da Igreja Evangélica Solidária de Angola, fundada em 2006, disse que o fenómeno religioso no país tem muito a ver com a cultura. Por isso, pediu ao Governo para que faça um acompanhamento sério às igrejas no sentido de estancar a proliferação das mesmas. O vice-ministro da Cultura Cornélio Caley disse recentemente que a Comissão vai propor ao Governo propostas para um novo quadro regulador da asctividade religiosa. A revisão da lei que regula a actividade de religião e cultos no país passa pela aprovação da nova Constituição. A comissão é coordenada pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, e integra os ministros do Interior, Justiça, Comércio, Assistência e Reinserção Social, Família e Promoção da Mulher e o Assessor social do Presidente da República.
http://jornaldeangola.sapo.ao/20/0/tecnicos_avaliam_proliferacao_de_seitas_religiosas;12/01/10
AUREMACIO CARVALHO
DA LUSOFONIA

Há bem poucos anos, principalmente depois de a língua portuguesa tersido declarada língua oficial dos seis novos Estados que antes eram províncias ultramarinas portuguesas, que em vários sectores, tanto públicos como privados, vem sendo frequentemente usada a palavra Lusofonia, palavra essa que não era usada por quem quer que fosse e nem aparecia em qualquer dos múltiplos dicionários de línguaportuguesa, publicados até, pelo menos, meados do último século.
Entretanto, foram aparecendo as necessárias estruturas organizativascomo sejam a título de exemplo, a CPLP, o Instituto Internacional daLíngua Portuguesa, a União das Cidades Capitais Luso-Áfrico-Américo-Asiática, o recém-constituído Instituto de Cultura Lusófona com sedeem Itabira, Brasil, a Associação Etnia com sede em Cabo Verde, tendoem vista o desenvolvimento e a plena vivência da Lusofonia.
E o que significa então e qual o alcance e razão de ser dessa novapalavra Lusofonia?
Etimologicamente Lusofonia significa fala dos lusos, fala dosportugueses. Mas em Lusofonia cabem todos quantos habitualmente falam,escrevem, pensam e em português comunicam com os demais, qualquer queseja o lugar ou o país em que se encontrem. Lusofonia, como se refereno Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia deCiências de Lisboa publicado em 2001, é também a “qualidade de serportuguês. O que é próprio da língua e da cultura portuguesa.Comunidade formada pelos povos que têm o português como língua maternaou oficial. Difusão da língua portuguesa no mundo”.
Lusófonos seremos, portanto, todos nós quantos, falando a língua deCamões, sentimos que algo temos em comum, de idêntico mas também dediferente de todos os outros que habitualmente falam outra língua ecom ela se identificam. E assim Lusofonia não poderá deixar de ser umdiálogo em língua portuguesa, um intercâmbio de povos e de culturasque há séculos, muito têm de comum e cujo principal elo ou suporte éprecisamente essa secular língua que todos nós falamos.
Mas por Lusofonia poderemos também entender o conjunto dos oito paísesde língua oficial portuguesa e suas correspondentes identidadesculturais, países que de certo modo têm um passado comum. E nesseconceito poderemos também incluir algumas regiões em que a línguaportuguesa é também utilizada como língua materna ou de património enessa mesma Lusofonia devemos ainda incluir todos aqueles que aresidir em qualquer parte do mundo, consideram como sua própria línguaa língua portuguesa e através dela comunicam uns com os outros.
Lusofonia é desse modo “uma pátria comum onde as diferenças secompletam numa unidade de iniciativas em face da pressão cada vezmaior da globalização, impedindo assim os efeitos descaracterizadoresdesta, preservando e valorizando o que cada país sozinho não podiarealizar, sobretudo em fóruns internacionais” (Fernando Cristóvão, DaLusitanidade à Lusofonia, pgs. 109).
Lusofonia, terá assim de ser um diálogo, uma convivência, um constanteintercâmbio em língua portuguesa, tendo na base como argamassa e comoelo que a todos nós une, a secular cultura lusíada, no entendimento deque as suas verdadeiras raízes estão justamente nos descobrimentos dosportugueses nos séculos XV e XVI, numa altura em que a línguaportuguesa, a primeira a chegar às costas de África, passou a ser efoi durante largas dezenas de anos, a principal língua de comunicaçãointernacional entre todos os povos do mundo, muito antes das línguasfrancesa e inglesa que só vieram a sê-lo muito anos depois. E é obrigação de todos nós quantos nos consideramos lusófonos, ante acada vez mais insistente e por tantos outros desejada globalização,defender a Lusofonia, começando por defender e se possível exigir aosoito países de língua oficial portuguesa uma eficaz vontade políticade aproximação, de cooperação, de intercomunicação cultural e atémesmo económica e de unidade entre todos eles, tendo precisamente emvista e para bem de todos, a defesa da referida Lusofonia.
Para tanto e como por muitos vem defendido, importa também combater eimpedir certas confusões com outras línguas, designadamente com acastelhana, evitando que a língua portuguesa possa ser considerada poralguns, verdadeiros ignorantes, e já o tem sido, uma língua dependentedela ou um seu simples dialecto, como o poderão ser, por exemplo, aslínguas galega, catalã e a basca.
Por outro lado, todos os países de língua oficial portuguesa deverãodefender e promover a colocação de professores de português e acriação de leitorados em todos os países, regiões ou cidades em queexistam colónias de povos de língua oficial portuguesa, sem atentarnas suas cores de pele, na sua religião e nas particularidades dassuas culturas, a todos concedendo, especialmente aos jovens, o direitode frequentarem gratuitamente aulas de português e de cultura lusíada.
E também por muitos tem sido defendido que a todos nós ditos lusófonose a todas as agremiações de falantes de língua portuguesa eprincipalmente a todos os oito países de língua oficial portuguesa,incumbe o dever de promover a defesa, a expansão e o prestígio danossa língua, patrocinando a publicação, a tradução e difusão por todoo mundo de obras literárias e mesmo científicas e artísticas, deimportantes, consagrados e conhecidos autores de língua oficialportuguesa.
Actuando por este modo em defesa da Lusofonia, defendemo-nos a nóspróprios falantes da língua portuguesa, defendemos a nossa identidadede pessoas e de povos, o nosso modo de ser e de estar no mundo eimpedimos que outras culturas e outros povos nos subjuguem e nosdominem cultural e economicamente ou mesmo politicamente, como algunsostensiva e claramente defendem.
Lisboa, O Presidente do Elos Internacional* - Alcindo Augusto Costa

--fonte: Fonte: http://elosclubetavira.blogs.sapo.pt/949.html; 14/02/2010.