AUREMACIO CARVALHO
Técnicos avaliam prolíferação de seitas religiosas

Adelina Inácio - 12 de Janeiro, 2010
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Sociológo Simão Helena orientou a reunião
Fotografia: João Gomes

O Comité Técnico da Comissão Interministerial para o estudo e fenómeno religioso em Angola reuniu ontem, na Liga Africana, em Luanda, com as Igrejas não credenciadas com sede na capital do país, para as auscultar sobre a proliferação das igrejas e o fenómeno religioso. O director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, Manuel Fernandes, revelou que existem 83 igrejas reconhecidas e mais de 900 não credenciadas. O também membro do Comité Técnico da Comissão Interministerial disse, sem adiantar números, que Luanda é a província que mais pedido de abertura de Igrejas possui. O sociólogo Simão Helena, membro da Comissão Técnica, orientou o encontro e explicou aos líderes religiosos que o Governo angolano entende as dificuldades das igrejas e reconhece que a Igreja teve sempre um papel importante na história do país e por isso deve estar organizada.O sociólogo salientou que o Governo está preocupado com algumas igrejas que praticam “actos indecorosos na sociedade, perturbam as famílias com várias acusações”. “ Preocupa-nos o facto de algumas igrejas falarem em nome de Cristo, mas têm como objectivo único extorquir o dinheiro ao cidadão”, disse, esclarecendo que a Comissão está igualmente preocupado com o facto de muitas instituições religiosas levarem crianças para fora do país para as doutrinarem e melhor servirem as suas igrejas. O Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos encontra dificuldades nas suas acções para auscultar as igrejas não reconhecidas pelo Estado pelo facto de muitas delas estarem divididas. “Enquanto estiverem divididas e com várias siglas e designações não é possível o vosso reconhecimento, por muito boa vontade que o Governo tenha”, disse.Medidas para disciplinarO director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, Manuel Fernandes, afirmou que a instituição que dirige tem conhecimento das igrejas cujas práticas são contrárias à cultura do país. “No devido momento, o Governo vai decidir-se sobre o futuro destas igrejas”, realçou.Luís Manuel, da Igreja Convenção Cristã em Angola, fundada em 26 de Outubro de 2009, louvou a iniciativa da comissão interministerial e sublinhou que as igrejas que acusam as famílias, e principalmente as crianças, de feitiçarias devem ser responsabilizadas judicialmente, “porque devem pregar Jesus e não acusar quem quer que seja”. Sebastião Chiquete, da Igreja Evangélica Solidária de Angola, fundada em 2006, disse que o fenómeno religioso no país tem muito a ver com a cultura. Por isso, pediu ao Governo para que faça um acompanhamento sério às igrejas no sentido de estancar a proliferação das mesmas. O vice-ministro da Cultura Cornélio Caley disse recentemente que a Comissão vai propor ao Governo propostas para um novo quadro regulador da asctividade religiosa. A revisão da lei que regula a actividade de religião e cultos no país passa pela aprovação da nova Constituição. A comissão é coordenada pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, e integra os ministros do Interior, Justiça, Comércio, Assistência e Reinserção Social, Família e Promoção da Mulher e o Assessor social do Presidente da República.
http://jornaldeangola.sapo.ao/20/0/tecnicos_avaliam_proliferacao_de_seitas_religiosas;12/01/10
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