AUREMACIO CARVALHO
Mulheres vão à luta
Da Editoria
Nos últimos 40 anos, mais de 40 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho brasileiro, ou seja, praticamente uma Argentina. A parcela do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil gerada pela força de trabalho feminino no Brasil é maior do que o PIB de nosso vizinho portenho. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) apontam que 40% da renda das famílias brasileiras vem das mulheres. E não poderia ser diferente. Entre 2001 e 2007, 9 milhões de homens entraram no mercado de trabalho contra 12 milhões de mulheres.
Na comparação com décadas passadas, vemos que no período entre 1950-1980 apenas 19% das mulheres, em média, encontravam-se em atividades produtivas. Nessa época, as maiores taxas de atividades específicas estavam entre as mulheres com menos de 30 anos. Ao longo do tempo, não só os níveis de atividade, mas também o padrão de inserção das mulheres no mercado de trabalho se alterou bastante.
As transformações nas relações de gênero também foram significativas, com um grande aumento da autonomia das mulheres. Além da maior longevidade, as mulheres brasileiras apresentaram uma grande elevação da participação na População Economicamente Ativa (PEA).
É difícil fazer projeções precisas, mas supondo que nas três primeiras décadas do século 21 a taxa de atividade feminina fique no mesmo nível de 2000, vale dizer 44%, então teríamos uma taxa mais de duas vezes superior ao período anterior e uma maior inserção das mulheres com mais de 30 anos, geralmente casadas.
Contribui muito para essas maiores taxas de atividade o aumento dos níveis educacionais e a redução do número médio de filhos. As taxas de fecundidade que estavam acima de 6 filhos por mulher até a década de 1960 devem ficar abaixo do nível de reposição nas próximas três décadas.
Como no Brasil o trabalho doméstico e a criação dos filhos são responsabilidades, prioritariamente das mulheres, a queda da fecundidade representa uma menor carga de trabalho doméstico para elas. Nesse sentido, mulheres com maiores níveis de educação, vivendo mais anos e com maior participação no mercado de trabalho são uma fonte de riqueza para as famílias e o país porque representam uma maior oferta de trabalho feminino. Resta saber se haverá também uma valorização maior do trabalho da mulher para reduzir as discrepâncias salariais ainda existente na comparação com a força de trabalho dos homens.
Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/09/01/10
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