AUREMACIO CARVALHO
ONU resiste ao uso oficial do português

Brasília
ABr-17/11/08
Conseguir que o português seja um dos idiomas oficiais nas Nações Unidas, um dos objetivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), pode ficar mais fácil com a entrada em vigor do acordo ortográfico aprovado pela comunidade. A avaliação é do ministro da Cultura, Juca Ferreira. "As Nações Unidas vinham resistindo porque (a língua portuguesa) não tinha uma ortografia comum, então esse acordo ortográfico, que é muito tímido, muito pequeno, não afeta a liberdade do exercício lingüístico em nenhum país, regulamenta o mínimo, unifica e possibilita essa demanda ser atendida pela comunidade internacional", afirmou.
Ele participou em Lisboa, da primeira Reunião Extraordinária de Ministros da Educação e Cultura da CPLP, onde a implementação do acordo ortográfico foi um dos temas em debate.
Segundo Ferreira, o acordo também vai facilitar o intercâmbio de produtos culturais entre os países-membros da CPLP, já que vai dispensar a tradução das obras, sejam elas literatura ou audiovisuais. "A diferença ortográfica criava uma dificuldade enorme e encarecia o fortalecimento dessa comunidade".
O ministro lembrou que hoje em dia os países africanos, especialmente Angola e Moçambique, têm uma literatura de alto nível, "e é preciso que a ortografia esteja unificada para que a gente possa lê-los com a rapidez com que o produto chega e a gente tem acesso".
Um outro ponto discutido na reunião dos ministros foi a necessidade de se preservar as outras línguas nativas faladas nos países de língua portuguesa.
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